Eleições 2016

Zonas Norte e Leste concentram 51,11% do eleitorado de Manaus

Com a concentração de 51,11% de todo o eleitorado da cidade de Manaus, as zonas Norte e Leste são a cereja do bolo dos candidatos a prefeito e têm sido, nas últimas eleições, alvo da cobiça de políticos que buscam, ávidos, os votos dos 329.363 eleitores que votam na Zona Norte, e os 313.241 da Zona Leste, conforme dados do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AM). Nestas eleições de 2016, não seria diferente.

Desde que se iniciou a campanha nas ruas, em 16 de agosto, os nove candidatos a prefeito direcionaram a maior parte do corpo a corpo para a população em bairros dessas duas zonas da cidade, com destaque para Henrique Oliveira (SDD) e José Ricardo (PT), conforme levantamento feito pela reportagem do EM TEMPO nas agendas diárias dos prefeituráveis.

Em 40 dias, moradores de mais de 20 bairros que compõem essas duas zonas da cidade receberam, em suas ruas esburacadas, com esgotos a céu aberto, sem iluminação pública adequada e abastecimento irregular de água, o aperto de mão, o abraço, o comício, panfletagem, ‘bandeiraço’ e caminhada dos candidatos.

Além de concentrar a maior fatia do eleitorado de Manaus, as zonas Norte e Leste também representam a maior densidade populacional da capital, somando 1.193.694 habitantes, o equivalente a 62,83% da população local, segundos dados atualizados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Com números expressivos, a Zona Norte abrange cinco zonas eleitorais, divididas em 81 locais de votação e 851 seções. Nesse universo, a 58ª Zona, que inclui os bairros da Cidade Nova, Novo Israel e Colônia Santo Antônio, é a recordista em número de eleitores, com 123.569 pessoas aptas a votar, distribuídas em 29 locais de votação e 311 seções. Na 65ª Zona Eleitoral (Colônia Terra Nova, Monte das Oliveiras e Nova Cidade), a situação é similar, o quantitativo é expressivo e apresenta 87.915 eleitores.

Dividindo a 70ª Zona Eleitoral com o bairro Cidade de Deus, da Zona Leste, o Novo Aleixo – que integra a Zona Norte – possui, sozinho, 60 mil eleitores, que votam em 17 locais e em 180 seções eleitorais.

Já a Zona Leste, a segunda mais populosa da cidade e também no número de eleitores, tem seu ápice de votantes na 63ª Zona Eleitoral, que inclui os bairros Gilberto Mestrinho, São José Operário e Tancredo Neves, com 113.836 pessoas que votam em 42 locais e em 321 seções. A segunda recordista em número de eleitores é a 59ª Zona Eleitoral (Armando Mendes, Coroado, Colônia Antônio Aleixo e Zumbi), com 93.105 votantes.

‘Estratégia adequada’

Para a socióloga e pesquisadora da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Marilene Corrêa, as áreas de maior concentração demográfica são onde o político tem mais facilidade de apresentar suas propostas de governo, ser tocado e ser visto pela população. É um contato direto e a estratégia mais adequada para o momento de campanha eleitoral. “Como ele já tem a visibilidade assegurada na TV e no rádio, a caminhada é uma tentativa de obter o contato direto com o eleitor. Na ocasião, o político se familiariza com os problemas das regiões suburbanas e atesta o que já ouviu dizer e o que os meios de comunicação noticiam todo dia. É uma forma dele dizer que não está só, que tem um grupo que o segue, correligionários que o acompanham e que podem fazer o que eles chamam de corpo a corpo”, explicou.

Durante o percurso nessas zonas, é comum que a população aproveite para dar os bilhetes que expressam as necessidades e as demandas das pessoas daquele local. Segundo Marilene, isso é comum, porque as pessoas não possuem o menor pudor de pedir e, além disso, elas têm consciência de que solicitar algo naquele momento é mais fácil do que quando o candidato for eleito. “Essas caminhadas buscam uma identidade entre o eleitor e o candidato. De algum modo, eles procuram uma cumplicidade. Uma vez estabelecida, por meio de um olhar, de um toque de mão, pela entrega de um bilhete ou por uma promessa, é difícil quebrar”, reforçou.

A moradia popular dos bairros e a proximidade com a rua é um dos fatores destacados por ela como ponto favorável para a aproximação da figura política e da figura do eleitor. “A rua é interativa e fica aberta à comunidade, como se fosse uma grande sala de visita. Todo mundo desce para acompanhar a caminhada”, analisou.

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