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Zika vírus provoca lesões, além da microcefalia, mostra estudo

Segundo os pesquisadores brasileiros, o vírus zika é muito mais agressivo nas crianças recém-nascidas – foto: arquivo

Segundo os pesquisadores brasileiros, o vírus zika é muito mais agressivo nas crianças recém-nascidas – foto: arquivo

O zika vírus é muito mais agressivo do que imaginavam os pesquisadores brasileiros. Um estudo feito recentemente por um grupo de cientistas, que envolve profissionais da Fundação Fiocruz, mostra que a doença tem consequências que vão além da microcefalia, podendo causar deformações em outas partes do corpo humano, não perceptíveis no momento do nascimento, como afirmou o vice-presidente de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde da Fio Cruz do Rio de Janeiro, Valcler Rangel Fernandes, que esteve em Manaus nessa quarta-feira (9) participando do seminário sobre o assunto, na Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

Na ocasião, Valcler Rangel disse que além da má-formação craniana, o vírus, que afeta também o sistema nervoso, vem provocando nos bebês recém-nascidos lesões oculares, auditivas, nas articulações e congênita chamada artrogripose, que dificilmente podem ser percebidas ainda nos primeiros dias de vida.

“As novidades nesta emergência sanitária que o país está vivendo são quase diárias. Muitos pesquisadores estão se envolvendo com a possibilidade de novos achados, tanto naquilo que se refere ao mecanismo de transmissão como aos modos de manifestações das doenças nas pessoas, de um modo geral”, disse.

Valcler destacou que qualquer novidade pode ser significativa neste momento para recondução e para a descoberta de novas soluções. Em relação a essas outras más– formações, os pesquisadores já tinham observado anteriormente, precisamente desde o ano passado, alguns sinais das lesões associados ao vírus em pacientes no Brasil. Ele ressalta que não há certezas nesses estudos, mas os resultados preliminares devem ser considerados um alerta para que as pesquisas de campo sejam aprofundadas cada vez mais.

Outra revelação importante citada pelo vice-presidente seriam as questões de transmissão por outros fluidos. Segundo Valcler Rangel, na última terça-feira (8), o Ministério da Saúde anunciou que a infecção por meio do ato sexual parece ser mais importante do que se via anteriormente, pelo número de casos que está sendo observado em adultos.

Agravante
“Existe a possibilidade de envolvimento de outros vetores na transmissão do vírus zika. Há possibilidade de termos rotas para o desenvolvimento de vacina que possam acelerar o processo de constituição de projeto de imunização da população. O que nós temos visto é a presença do vírus em fluidos corporais, como a saliva. Isto não quer dizer que seja transmitido pela saliva, mas abre outro campo de pesquisa muito importante”.

Outra barreira no combate ao vírus é a condição social do Brasil. A falta de saneamento básico, de uma política de longa prazo, acesso da população à educação e a limitação de recursos são alguns dos problemas que vêm sendo enfrentados pelo país, não somente agora, mas há pelo menos um século.

“Se olharmos para as políticas voltados para o controle de resíduos sólidos, recolhimento de lixo, tratamento e o abastecimento de água com armazenamento inadequados, veremos que existe uma grande deficiência no sistema, fato que vem dificultando o combate. É preciso que as pessoas cuidem do seu quintal, que o poder público cuide dos espaços públicos”, finalizou.

Já o secretário estadual de Saúde, Pedro Elias, disse que as ações que estão sendo empreendidas em Manaus são menos dificultosas. No entanto, o cenário em pelo menos dez municípios do Amazonas é preocupante, uma vez que essas localidades estão em situação de vulnerabilidade em relação ao Aedes aegypti.

“Estamos aumentando as nossas ações nas cidades de Parintins, Humaitá, Coari, Ipixuna e Benjamim Constant, para obtermos resultados mais práticos. O desafio maior é o envolvimento da população de modo geral. Precisamos combater o mosquito e combater armazenamento inadequado de água, essas são as ações mais importantes”, disse.

Por Gerson Freitas

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