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Zika vírus pode causar paralisia em adultos, diz especialista

Controle e monitoramento das doenças, segundo Tanuri, devem ser realizados para desvendar o que vem provocando as mesmas. A prevenção contra uma possível epidemia, por enquanto, é o único método a ser seguido – foto: divulgação

Controle e monitoramento das doenças, segundo Tanuri, devem ser realizados para desvendar o que vem provocando as mesmas. A prevenção contra uma possível epidemia, por enquanto, é o único método a ser seguido – foto: divulgação

Idêntico ao vírus que circula na Polinésia Francesa, o zika vírus identificado no Brasil tem a capacidade de afetar também o sistema neurológico dos adultos. A afirmação é do especialista em genética de vírus, Amilcar Tanuri. Conforme Tanuri, o zika foi identificado no líquido amniótico e no cérebro de duas crianças nascidas recentemente no Rio de Janeiro. Os pacientes foram submetidos a um estudo por um grupo de cientistas. O especialista esteve em Manaus, ontem, para expor aos profissionais da Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD) a pesquisa que ele coordenou.

A doença vem provocando sérios problemas em adultos. Uma dessas complicações seria a síndrome de Guillain–Barré, que compromete, em alguns casos, por toda a vida o sistema neurológico. “Não houve um alerta da doença antes mesmo que ela fosse registrada aqui no Brasil. Apenas em maio de 2015, quando apareceu e foi confirmado o primeiro caso, a devida importância foi dada ao zika vírus. Tudo era e ainda é novo, por isso precisamos nos empenhar em desvendar o que vem provocando de forma devastadora
essas doenças”, disse.

Tanuri explicou que, assim como os casos de microcefalia associados ao zika vêm aumentando no Brasil, principalmente no Nordeste, os de síndrome de Guillain-Barré podem evoluir para o mesmo quadro se não houver um controle e um monitoramento intenso da doença. “Nós temos observado que o vírus é agressivo. Em alguns pacientes com o zika vírus já confirmado, verificamos que depois de um mês os mesmos voltam a apresentar manchas na pele, dores e outros sintomas. O zika contribuiu para o aumento de pelo menos 10% de crianças com má-formação encefálica, somente nas cidades do Nordeste”, declarou.

“Um índice acima do esperado. Lógico que tem os fatores genéticos e ambientais, que também podem influenciar para a má-formação. Como já foi comprovado o vírus em cérebro de adultos, o índice da síndrome também pode ser preocupante”, disse Tanuri, ao alertar que a prevenção ainda é o único método que pode ser utilizado para combater uma possível epidemia, uma vez que ainda não foi criada nenhuma vacina contra o vírus.

Monitoramento

A diretora-presidente da FMT-HVD, Graça Alecrim, ressaltou que ainda existem muitas perguntas e poucas respostas para essas associações com as doenças causadas pelo zika vírus. “Tudo relacionado ao zika ainda é novo, porque não tínhamos essa doença no Brasil. Foi introduzida ano passado, então tudo é um mistério que deve ser desvendado em breve. Não tínhamos ideia de como era a doença e o que ela causava. Um dos métodos que estamos usando para combater e o acompanhando é o monitoramento dos pacientes”, destacou Alecrim.

por: Gerson Freitas

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