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Yanomamis também aguardam ajuda humanitária em Barcelos

Vítimas da seca, moradores de Barcelos lamentam que o auxílio do Executivo estadual não tenha chegado às aldeias - foto - Secom

Vítimas da seca, moradores de Barcelos lamentam que o auxílio do Executivo estadual não tenha chegado às aldeias – foto – Secom

Lideranças indígenas da etnia yanomami, do município de Barcelos (a 399 quilômetros de Manaus), fazem um apelo ao governo Estado que também leve as suas comunidades ajuda humanitária por conta da estiagem que castigou a região. Na última segunda-feira (7), a Defesa Civil do Estado iniciou a entrega de alimentos, água potável e kits dormitórios, higiene e medicamentos aos municípios de Barcelos, Santa Isabel do Rio Negro e São Gabriel da Cachoeira. Mas, os yanomamis temem não receber, uma vez que eles afirmam que nenhuma liderança foi informada sobre a ação.

O tuxaua Luiz Takidari Yanomami, 40, da maloca Ajuricaba, soube da chegada do governo no município, mas não pôde ir até a comitiva se informar sobre a ajuda humanitária porque um parente tinha morrido. Ele afirma que nem mesmo o escritório da Fundação Nacional do Índio (Funai), de Barcelos, informou sobre a ajuda do Estado. “Não avisaram sobre isso para nós. A Funai em Barcelos, ao invés de ajudar, só atrapalha os yanomamis. Nós também precisamos dessa colaboração”, observa o tuxaua.

Localizada no rio Demeni, Luiz Takidari explicou que neste período a comunidade leva quatro dias descendo em quatro canoas com motor rabeta, para resolver questões como aposentadoria e saques de Bolsa Família para alguns moradores. No entanto, segundo ele, a viagem de volta, subindo o rio, leva cinco dias, e pelo tamanho das embarcações não há condição de levar a ajuda humanitária da sede do município até a maloca Ajuricaba.

 

Radiofonia

O professor Simão Yanomami, 42, da maloca Comixi, levou sete dias descendo o rio Padawiri até a sede de Barcelos para tratar com a Secretaria de Estado da Educação (Seduc), sobre a falta de professores na região. Ele diz ter sido informado sobre a ajuda humanitária somente um dia após os suprimentos chegarem à cidade. “A estiagem deixou muitos de nós isolados”, afirma

o professor yanomami.

Simão chama a atenção para o fato de que se a ajuda também fosse destinada às malocas yanomamis, o município poderia ter informado às lideranças por meio da radiofonia, único meio de comunicação entre eles e a cidade. Segundo ele, para facilitar o transporte dos mantimentos pela Defesa Civil às malocas, bastava o poder público informar pela radiofonia às malocas, que os moradores desceriam até Ajuricaba, para receber a ajuda humanitária.

 

Distribuição

Somente em Barcelos, a Defesa Civil informou na última segunda-feira (7) que, das quase 160 comunidades que serão atendidas nos municípios do médio e alto rio Negro, 55 de Barcelos receberiam a ajuda humanitária. Um volume, aproximado de 3 mil famílias somente na terra do peixe ornamental. O órgãos não informou, contudo, se entre elas estavam as comunidades indígenas.

 

Por Emerson Quaresma

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