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Yanomamis autorizam saída de servidores da saúde de terra indígena em Roraima

Os últimos 13 servidores da Secretaria Especial da Saúde Indígena (Sesai) retidos desde sexta-feira (1) na Terra Indígena Yanomami, em Roraima, aguardam apenas a chuva cessar para deixar a área. Eles já têm autorização para o retorno à capital do estado.

Segundo a coordenadora do Distrito Especial de Saúde Indígena (Dsei), Maria de Jesus do Nascimento, os yanomamis concordaram com a liberação dos profissionais na quarta-feira (6), mas, desde ontem (7), o mau tempo impede o helicóptero contratado pela Sesai de transportar os servidores em segurança.

“Hoje de manhã continuava chovendo bastante, mas estou confiante de que tudo dará certo e que logo conseguiremos tirar todos da área”, disse Maria de Jesus. Ela esclareceu que, até ontem, 20 servidores foram retirados da área – 14 no sábado e 6 na segunda-feira. Inicialmente, a Sesai informou que 23 servidores estavam retidos pelos yanomamis. Hoje, esse número foi atualizado para 33.

De acordo com a coordenadora, os 13 servidores passam bem. Eles estão alojados no 4º Pelotão Especial de Fronteira do Exército, no interior da própria reserva indígena. Assim que o tempo melhorar, eles serão levados, em grupos pequenos, para o Polo Base Xitei. Dali, seguirão viagem, em aeronaves maiores, para a capital do estado.

As equipes multidisciplinares estiveram na reserva para prestar atendimento médico aos índios e providenciar a remoção para Boa Vista das pessoas que precisam de atendimento de média e alta complexidade.

Em protesto contra o que classificam de “falta de atenção à saúde indígena”, o grupo de yanomamis que impediu a visita dos servidores a outras comunidades indígenas reteve também os aviões em que os servidores viajavam.

Quatro aviões continuam com os índios. “Falei com os líderes ontem. Eles sinalizaram com a possibilidade de liberá-las ainda hoje (8). Vou continuar tentando sensibilizá-los”, acrescentou Maria de Jesus. Ela lamentou que, com o retorno dos servidores para Boa Vista, o cronograma de visita às comunidades indígenas terá de ser revisto, prejudicando os índios que precisam de cuidados médicos.

A Sesai é vinculada ao Ministério da Saúde e coordena a Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas. Os Dseis são unidades gestoras descentralizadas do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena (SasiSUS). Ao deter os profissionais de saúde, os yanomamis exigiram a exoneração do secretário nacional de Saúde Indígena, Antônio Alves, e também de Maria de Jesus Nascimento.

Por Agência Brasil

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