Economia

WhatsApp tem sido palco para a prática virtual de uma espécie de ‘escambo’ dos tempos modernos

 Em Manaus, roupas, calçados, eletrônicos entre, outros produtos, são o mote de criação de grupos segmentados entre pessoas que se conhecem em redes sociais - foto: divulgação

Em Manaus, roupas, calçados, eletrônicos entre, outros produtos, são o mote de criação de grupos segmentados entre pessoas que se conhecem em redes sociais – foto: divulgação

Uma das formas mais antigas de negociação entre pessoas, grupos sociais ou até mesmo impérios, o escambo começa a ganhar uma releitura nos dias de hoje, por meio do WhatsApp. Em Manaus, roupas, calçados, eletrônicos entre, outros produtos, são o mote de criação de grupos segmentados entre pessoas que se conhecem em redes sociais, principalmente no Facebook, e que buscam economizar na aquisição de produtos de interesse ou necessidade.

A professora Gisella Vieira Braga diz que já economizou muito em produtos como maquiagem, roupas, joias, celulares nos grupos que participa e com o que ela administra de 90 participantes, exclusivo para mulheres. Ela conta que conheceu a formação desses movimentos em janeiro deste ano, quando percebeu que os grupos de troca pelo WhatsApp em Manaus viraram febre.

Ela, que desistiu de produzir festas infantis, afirma que neste ano já trocou várias peças de animação por cosméticos lacrados, entre outros produtos. “Isso gera uma economia significativa. Eu chegava a gastar R$ 600 mensalmente com makes para poder executar o meu trabalho de animação. Passei a trocar e reduzi o custo entre R$ 80 e R$ 90”, salienta.

De olho no Dia das Crianças, Gisella conta que muitos objetos que tinha em casa sem uso, como um cordão folheado da Romanel, trocado por um celular Android, e um vestido de personagem Frozen por outro celular, também Android. “Os dois em excelente estado de uso. Como estou de dieta, as roupas estão ficando folgadas. Troquei minhas calças e vestidos seminovos, alguns inclusive usados apenas uma vez, por maquiagem lacrada da marca Mac e Mary Kay”, diz.

A comerciante Marcela Carvalho, 43, conta que também conheceu os grupos de trocas e vendas em janeiro deste ano. “Coloquei um vestido para vender no Facebook sem saber desse movimento todo que tinha com grupos de WhatsApp. Na verdade, eu foquei o grupo de gordinhas no Facebook e depois me adicionaram em outros grupos e hoje participo de 22 grupos e eu me sinto bem. Eu troco, vendo e compro roupas por um preço bom e eu estou feliz. E assim eu não tenho nenhum preconceito em usar roupas de brechó”, afirma.

Marcela diz que o seu foco são roupas, sobre as quais consegue boas encomias em peças que na loja custa R$ 180 em média, mas no grupo consegue entre R$ 50 e R$ 70. Mas, ela não perde uma oportunidade de um bom sapato ou perfume. “Eu amo vestidos estilosos, mas já negociei perfumes da Vitória Secret e do Boticário”, conta.

Regras e segurança dos grupos

A assistente social Michelle Rabelo de Souza, 38, conta que participa de cinco grupos de troca e venda no WhatsApp e diz que as administradoras são rígidas quanto às regras. “Cada um tem um tema, tipo um segmento diferente de troca e venda. Nos de roupas não podemos publicar nada além de roupas. Nos de artigos infantis somente roupas se 0 a 12 anos. Quem não cumpre é excluído”, explica.

A segurança na relação de troca nesse ambiente virtual é para a comerciante um ponto de preocupação. “Não deixa de ser arriscado. Já ouvi história de colegas que chegaram a ser enganadas. Alguém publicou algumas peças de roupas para vender e a pessoa não observou de forma criteriosa as roupas e quando chegou em casa percebeu que não passavam de roupas velhas, rasgadas. Eu mesma recentemente fiz uma troca que só percebi que a roupa estava muito danificada quando cheguei em casa”, aponta.

Com um dom comercial na veia, Micelle diz que já conseguiu vender roupas e sapatos de bebê usadas e novas e também roupas e sapatos dela. “Eu faço poucas vendas, porque nesse campo eu prefiro trocar, mas já ganhei em média com as vendas uns R$ 500. A economia maior que fazemos nas trocas é porque nós nos desfazemos daquilo que não queremos mais e trocamos por outros produtos que nos serão úteis”, observa.

Por Emerson Quaresma

Comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Subir