Dia a dia

Voluntários testarão vacina contra a dengue em Manaus

Por ter registrado anteriormente epidemias de dengue, Manaus é um dos 12 centros de teste da vacina - foto: divulgação

Por ter registrado anteriormente epidemias de dengue, Manaus é um dos 12 centros de teste da vacina – foto: divulgação

Tiveram início os preparativos para o processo de seleção dos voluntários que irão participar, em Manaus, dos testes da vacina contra a dengue, que está sendo desenvolvida pelo Instituto Butantan, de São Paulo. Na última semana, pesquisadores da Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), que coordenam a etapa local do estudo, visitaram unidades de saúde da prefeitura, para escolher aquela que deverá funcionar como base do processo de seleção.

“Estamos firmando um acordo de cooperação técnica com a Secretaria Municipal de Saúde para viabilizar esta parceria. Consideramos que atuar com o apoio de equipes de atenção básica vai facilitar o acesso a pessoas que se encaixam no perfil da pesquisa, a fim de convidá-las a participar do estudo”, explica o diretor-presidente em exercício da FMT, Marcus Lacerda.

Manaus foi anunciada no final do ano passado como um dos 12 centros de testes da vacina contra a dengue. Além de possuir grupos de pesquisadores especialistas nesta área, na rede estadual de saúde, a cidade integra uma região de incidência da dengue, já tendo registrado epidemias da doença.

De acordo com Marcus Lacerda, mil voluntários devem participar do estudo na capital amazonense, na faixa etária de 2 e 59 anos, exceto mulheres grávidas e pessoas com doenças crônicas. A fase de testes deve iniciar no segundo trimestre deste ano e durar aproximadamente 12 meses.

Ele ressalta que os voluntários serão acompanhados durante cinco anos, após o teste. O acompanhamento faz parte do protocolo a ser seguido, para atestar a eficácia do medicamento.

Além de Manaus, também farão parte do estudo voluntários de Porto Velho (RO), Boa Vista (RR), Aracaju (SE), Recife (PE), Fortaleza (CE), Brasília (DF), Cuiabá (MT), Campo Grande (MS), São Paulo (SP), São José do Rio Preto (SP), Belo Horizonte (MG) e Porto Alegre (RS).

Liberação

Além do estudo realizado pelo Instituto Butantan, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) liberou, no final do ano passado, o registro da vacina contra dengue desenvolvida pelo laboratório francês Sanofi Pasteur. O Ministério da Saúde ainda avalia, no entanto, o custo-benefício para uma possível inclusão da vacina no calendário nacional de imunização.

Representantes no Brasil do Sanofi Pasteur reuniram-se na semana passada com o secretário estadual de Saúde, Pedro Elias de Souza, para apresentar o resultado dos estudos sobre a eficácia da vacina. “Estamos na expectativa da decisão que será tomada pelo Ministério. O país, que tem sofrido com epidemias de dengue nos últimos anos, realmente precisa de uma vacina que ajude a proteger a população”, salienta Pedro Elias.

Para o secretário, foi importante a reunião ocorrida com o diretor de Saúde Pública da Sanofi Pasteur no Brasil, Marcelo Scattolini, para conhecer de forma mais detalhada os estudos sobre a eficácia da vacina desenvolvida pelo laboratório francês. “Esta apresentação está sendo feita aos secretários de saúde de todos os Estados. Basicamente, são os estudos apresentados à Anvisa e que basearam a liberação do registro da vacina no país”, observa Pedro Elias.

Eficácia

Conforme os dados divulgados pela Anvisa, a vacina aprovada é indicada para a prevenção dos quatro sorotipos da dengue e pode ser tomada por pessoas com idade entre 9 e 45 anos que vivem em áreas endêmicas da doença. O esquema de imunização exige a aplicação de três doses (com intervalos de seis meses) do imunobiológico.

Ainda segundo a Anvisa, a vacina apresentou uma eficácia global contra a dengue de 65,6% na população acima de nove anos de idade. Esse porcentual varia conforme o sorotipo: eficácia de 58,4% contra o sorotipo 1; 47,1% contra o sorotipo 2; 73,6% contra o sorotipo 3 e de 83,2% contra o sorotipo 4. Considerando a forma da dengue que leva à hospitalização, a eficácia verificada da vacina foi de 80,8%. Ou seja, há uma proteção maior para casos de dengue considerados mais severos.

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