Sem categoria

Violinista amazonense faz concerto no Teatro da Instalação, na quinta

 A reapresentação do concerto será no Teatro Amazonas, no sábado (14), às 20h - foto: divulgação

A reapresentação do concerto será no Teatro Amazonas, no sábado (14), às 20h – foto: divulgação

Na próxima quinta-feira (12), o jovem violinista Giovanny Conte (detalhe), 29, estará no Teatro da Instalação, Centro, para apresentação onde vai homenagear outro mestre na arte do violino: Marcos Salles (foto maior), um dos primeiros compositores a escrever para violino solo no Brasil. A entrada é gratuita. Ao ser chamado de “outro” mestre não é por acaso. Conte possui o currículo de um verdadeiro fenômeno.


Nascido em Manaus, Giovanny começou a tocar violino aos 13 anos de idade no Liceu de Artes e Ofícios Cláudio Santoro, em 1999. Até 2004, participou ativamente de orquestras de jovens como concertista, quando ingressou na Orquestra Filarmônica do Amazonas. Em 2011, ele terminou a licenciatura em violino na Academia Nacional de Música “Pancho Vladigerov”, na Bulgária, na classe da professora Stoika Milanova, uma das maiores violinistas da história. Ainda sob sua tutela, fez mestrado em “violin performance”. Conte também venceu competições internacionais, como o 3º Concurso de Violino Acadêmico da Academia Pancho Vladigerov. Atualmente, faz shows na América Latina e Europa.
A iniciativa para este concerto surgiu como ideia para comemorar os 10 anos de carreira profissional ao violino. Mas uma coincidência também ajudou. “Ao mesmo tempo que procuro nas minhas apresentações destacar compositores brasileiros, optei por obras do Marcos Salles e qual não foi a minha surpresa quando descobri que este ano, 2015, completam-se 130 anos do seu nascimento (1885) e 50 de morte (1965). Entramos em contato com a família do compositor e surgiu mais um fato decisivo para esse concerto ter todas as atenções da nossa comunidade musical. Será a primeira audição mundial dos “Caprichos para Violino” e do “Capricho nº 7”. De imediato, convidamos sua filha, Marena Salles, pesquisadora e também violinista, para vir a Manaus e acompanhar esse grande momento. Com o apoio da Secretaria de Estado da Cultura, seremos a única cidade no Brasil a homenagear Marcos Salles como ele merece”, comemora.

O começo
O ingresso no mundo da música começou por meio de um show de televisão de rock-pop ao violino. “Apaixonei-me pelo instrumento na hora, mas o meu primeiro violino demorou 2 anos para ser comprado a muito custo pela minha mãe. Finalmente, aos 13 anos, pude começar minhas primeiras aulas, por três meses no CAUA (Centro de Artes da Universidade do Amazonas) e por 6 anos no Liceu de Artes e Ofícios Cláudio Santoro”, relembra.
As suas grandes influências começaram com os músicos da Orquestra Amazonas Filarmônica. E dentre os grandes nomes do violino estão a própria mestra, Stoika Milanova, o violinista Henryk Szeryng, Itzhak Perlman, Marcos Salles, Flausino Vale e o mais atual David Garret. E mesmo com tão pouca idade, o músico já dividiu o palco com algumas das maiores referências da arte. “Já tive a sorte de dividir o palco com dois violinistas de renome internacional que foi Stoika Milanova, na Bulgária, e em Riminni (Itália) com o violinista Anton Martinov e tenho o prazer de tocar em um dos palcos mais belos do mundo que é nosso Teatro Amazonas”.

Fora da grande mídia
Ter reconhecimento internacional contrasta com a pouca presença de Giovanny Conte na grande mídia. Isso, no entanto, não abala o músico. “Vejo pelo lado positivo. Tenho 10 anos como profissional mas sei que nessa área, de música clássica, o caminho é longo e diferente de outros estilos musicais. Galgamos nossa trajetória a partir da experiência em conjunto. Meu local de trabalho tem me possibilitado desenvolver inúmeras atividades artísticas. Meus trabalhos como solista estão apenas começando e com o tempo terei o meu devido espaço. Em minhas horas de estudo, exercito bastante a paciência pois é uma virtude para quem corre, todos os dias, atrás dos próprios sonhos”, pondera.

O homenageado
Marcos Raggio de Salles foi um violinista e compositor de família para-ense. Seu catálogo de obras organizadas conta com 92 peças, que abrangem o piano solo, canto e piano, violoncelo e piano, coros, arranjos e muitas composições para violino e piano, entre outras. Deste total, 21 foram escritas para violino solo – isso sem contar as cadências que escreveu para concertos de Mozart, Viotti, Paganini e Beethoven. Nas peças para violino, Marcos Salles procurava caracterizar o ambiente amazônico em que crescera, incorporando melodias folclóricas e retratando mitos e lendas da região em obras como “lenda da lua”, “A chuva no Pará”, “O saci”, “A Matinta e o curupira”, “A viola do caboclo”, etc.

Por Fred Santana

Comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Subir