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Vídeo: área desativada do T1 é usada para orgias e consumo de drogas

 

A área desativada do terminal de integração 1, localizado na avenida Constantino Nery, tem servido como esconderijo para encontros amorosos e consumo livre de drogas há mais de um ano. Na maioria das vezes são jovens e alunos de escolas situadas na proximidade do complexo, que aproveitam a falta de fluxo de pessoas, para consumirem entorpecentes e até manterem relações sexuais nos bancos – que antes eram ocupados por passageiros. A denúncia é de um leitor do EM TEMPO, que pediu para não ter o nome divulgado.

O leitor trabalha na região do terminal desativada e sem fiscalização por parte do poder público. Em vídeo gravado pelo próprio denunciante, é possível verificar o momento em que estudantes consomem drogas em um dos bancos. De acordo com ele, é comum as pessoas presenciarem esse tipo de comportamento, além de cenas obscenas por casais que não respeitam o ambiente público.

“A gente que trabalha ou mora aqui nas proximidades sempre se depara com esse tipo de cena. Eles consumem drogas e chegam a transar livremente, tanto casais héteros, como homossexuais. Não há qualquer tipo de fiscalização nesse sentido. Os fiscais só observam se alguém vai entrar sem pagar. A polícia passa e os usuários de drogas ficam sentados, como se nada tivesse acontecido. Depois que a viatura passa, eles voltam à prática ilícita”, relatou.

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O leitor, que é empresário na área, disse que não há horário certo para as situações acontecerem. Segundo ele, o acesso ao local desativado devia ser proibido, para evitar esse tipo de ocorrência.

“Já vi gente fazendo coisa errada às 7h da manhã, mesmo com o fluxo intenso, de pessoas indo para o trabalho”.

A moradora Elisângela Soeiro, de 37 anos, informou que essas práticas sempre foram comuns no terminal. Ela mora há 10 anos ao lado do T1 e, da janela da sua casa, já presenciou diversas ações, inclusive, de crimes.

O terminal 1 já deveria ter sido desativado, mas ele será reformado de acordo com o projeto da prefeitura – Ione Moreno

“É muito comum as pessoas usarem drogas e transarem no terminal, mas antes isso era feito nos banheiros. Agora que eles estão interditados, as pessoas vão para essa área desativada para praticarem esses atos. Eles são tão audaciosos que não se incomodam com os ônibus que saem ou chegam no terminal. Além disso, a avenida é muito movimentada. Já vi de tudo nesse T1, dá pra escrever um livro. Vi mortes, atropelamentos, roubos, sexo livre, viciados, brigas e namoros que iniciaram nas paradas”, disse.

O EM TEMPO  publicou matéria sobre o uso indiscriminado dos banheiros como motel e ponto de consumo de drogas em março de 2014. A reportagem esteve no terminal esta semana e constatou que os locais realmente estão desativados. Algumas placas do gradil da parte desativada foram retiradas e colocadas nas entradas dos banheiros para evitar o acesso. Constatamos também que pelo período de duas horas, nenhum fiscal da Secretaria Municipal de Transportes Urbanos (SMTU) se deslocou até a área – localizada no fim do terminal de ônibus (no sentido centro-bairro).

O trânsito livre é permitido, havendo abordagem apenas no acesso outro ponto do terminal que ainda continua em operação. A área denunciada foi desativada no dia 25 de junho do ano passado para uma reforma, porém, até hoje nenhuma obra foi iniciada. Na ocasião, a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf) diz que desconhecia o porquê do fechamento e que a reforma do terminal ainda estava em processo licitatório.

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Mais de um ano depois, a situação continua estagnada. Nenhuma reforma foi iniciada e, segundo a SMTU, por meio de nota, o projeto de recuperação ainda deve passar por licitação. Somente após esse procedimento, sem data prevista,  é que o órgão poderá divulgar prazos para execução das obras. Questionada sobre a desativação completa do complexo, a secretaria não se posicionou sobre o assunto. Já sobre as denúncias de práticas ilícitas na área desativada, a pasta  informou que irá solicitar o apoio da Polícia Militar para coibir as atividades denunciadas.

Ainda no primeiro ano de mandato, em 2012, o prefeito Arthur Neto defendia a desativação total do T1. O projeto original foi descartado e a recuperação do espaço foi inserida no novo modal de transporte, que será adotado pela Prefeitura de Manaus, no sistema de mobilidade da cidade.

Bruna Souza

EM TEMPO

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