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Após descoberta de esquema fraudulento, vice de Xinaik é empossada prefeita de Iranduba

Madalena assume o comando da municipalidade num momento delicado - foto: Marta Helena

Madalena assume o comando da municipalidade num momento delicado – foto: Marta Helena

Sete horas após o prefeito de Iranduba, Xinaik Medeiros (PTB), se apresentar ao Ministério Público do Estado (MPE) e ter sua prisão preventiva decretada, a vice-prefeita da cidade, Madalena de Jesus (PSDB), mais conhecida como a “Madá do Cacau-Pirêra”, foi empossada no cargo de prefeita na Câmara Municipal de Iranduba. Xinaik e outras 19 pessoas são acusados de vários crimes contra o erário, cujos prejuízos somam mais de R$ 56 milhões.

Eles são alvo da operação Cauxi, deflagrada pelo Ministério Público do Estado (MPE) e Controladoria Geral da União (CGU), haja vista que muitos dos recursos desviados são federais.

Madalena assume o comando da municipalidade num momento delicado. Após meses de investigação, o MP desbaratou, ontem, a quadrilha que, além do prefeito, cumpriu mandado de prisão temporária do secretário de infraestrutura, André Lima, e outros três de prisão temporárias contra pessoas envolvidas diretamente na gestão de Xinaik.

Vinte pessoas são acusadas de praticar crimes como peculato, corrupção passiva, concussão, falsidade ideológica, fraude em licitação, lavagem de dinheiro e crime de responsabilidade fiscal. Todos eram cometidos durante o processo de contrato de obras, serviços, coleta de lixo, transporte escolar, locação de imóveis e veículos, merenda escolar, além de aquisição de materiais para a Prefeitura de Iranduba.

Procurada pelo EM TEMPO, Madalena preferiu não se pronunciar sobre a nova função que cumprirá no município.

Além da prática de corrupção atribuída ao prefeito e secretários mais próximos, a investigação do MP aponta ainda a um esquema dentro da Câmara Municipal de Iranduba, em que vereadores aliados recebiam uma espécie de “mensalinho” da prefeitura. Conforme da desembargadora Carla Reis, responsável pela condução do caso na esfera da Justiça, a maioria dos vereadores recebia propinas mensais, a fim de garantir que os interesses da prefeitura fossem aprovados no Legislativo municipal.

Na divulgação do balanço parcial da operação feito na tarde de ontem pelo MPE, o promotor de Justiça que está atuando diretamente no caso pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) Lauro Tavares, apresentou o modus operandi da quadrilha. De acordo com ele, os vereadores recebiam uma espécie de “mensalinho”, onde um valor era repassado aos vereadores com intuito de aprovação das demandas da prefeitura e não adoção de providências quanto às irregularidades praticadas.

Procurado pelo EM TEMPO, o líder da oposição na Câmara, Irapuan Sampaio – autor da peça junto ao Ministério Público que pediu o afastamento de Xinaik – se posicionou pela investigação da denúncia de que vereadores recebiam propina, mas limitou-se a comentar que “tal informação está nos autos do processo”.

Ele afirmou que o clima entre os parlamentares é de normalidade, apesar da movimentação que a operação Cauxi causou na cidade ontem pela manhã. “Vamos dar continuidade aos trabalhos. Graças a Deus, o que era podre já está preso”, disse.

Sampaio resumiu a forma como será tratada a prefeita empossada, Madalena de Jesus. “Com o mesmo pensamento adotado na administração anterior: se agir correto vai receber o nosso apoio”, falou. Dos 13 vereadores na casa, apenas dois integram a oposição à administração municipal. Eles devem manter o mesmo posicionamento.

Por André Tobias

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