Carnaval 2017

Verde e Rosa ‘clama’ por justiça na avenida do samba

A Vitória Régia é considerada o berço do samba por ser a escola mais antiga do Carnaval de Manaus – Fotos: Ione Moreno e Luís Henrique Oliveira

Fundado 1975, o Grêmio Recreativo Escola de Samba Vitória Regia traz este ano para a avenida o enredo “Olhos Vendados, Mãos Fortes. Vitória Régia Clama por Justiça”, pensado a partir da ideia dos compositores que acreditam em um futuro mais justo. Ao todo, três alegorias, 70 baianas, 300 ritmistas e 4,2 mil brincantes estarão divididos em 25 alas, levando ao público presente no Sambódromo o calor espalhado na avenida.

No desfile deste ano, a Verde e Rosa, do bairro Praça 14, pretende levar além de um belo desfile, todo essa necessidade de Justiça que o Brasil clama. “Trazemos nas alas figuras típicas justamente para lembrar que ainda há tempo de mudança. Precisamos mudar para um mundo melhor”, afirmou o presidente Didi Redman.

Nem mesmo a crise econômica tirou o luxo e o acabamento das fantasias. Plumas, penas e paetês deram o tom da noite da verde e rosa. Este ano, o carnavalesco Junior Thompson fez com que luzes, cores e muito brilho estivessem presente no carro abre-alas. Com 23 componentes, a alegoria trouxe um misto de materiais reciclados e novos. Exemplo disse são os mais de 10 mil cds reciclados que compõem o veículo.

Porta-bandeira há 3 anos na escola, Anik Senna, 34, que evolui junto com o mestre-sala Cleidson Lessa, 37, explicou que a responsabilidade é grande por conta de notas 10 obtidas no Carnaval de 2016. “Ano passado fomos nota 10, este ano precisamos fazer bonito para continuar nesse ritmo. Sou a deusa da Justiça, representando a deusa Temis, e embora esteja vendada, irei evoluir ao máximo”, disse, ressaltando que os 15 quilos de sua fantasia não atrapalham a coreografia ensaiada desde setembro. A fantasia do primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da agremiação teve um custo de, aproximadamente, R$ 25 mil.

Dona Odete é a baiana mais antiga da agremiação

Aos 79 anos de vida, sendo 35 como baiana, a enfermeira aposentada Odete Leite da Silva, lembrou que a emoção é grande quando se trata de amor à escola. “Me deram água de coco, perguntaram se eu estava confortável, se preocuparam comigo, logo, eu só posso retribuir com um sorriso no rosto”, disse com um olhar sereno.

Uma das atrações da bateria Berço do Samba, comandada pelo mestre Chocolate, empolgou os torcedores. À cada paradinha, capoeiristas surgiam da bateria ejogavam na avenida.

Luís Henrique Oliveira
EM TEMPO

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