Economia

Verão anima o setor de bebidas frias no AM

Depois de um primeiro semestre de retração, segmento divide opiniões quanto às perspectivas para o fim do ano e 2017 - foto: divulgação

Depois de um primeiro semestre de retração, segmento divide opiniões quanto às perspectivas para o fim do ano e 2017 – foto: divulgação

Depois de um primeiro semestre de 4% de queda no volume de vendas, o segmento de bebidas frias vê no calor do verão, nas festas de fim de ano e nas mudanças políticas do país um passo para a retomada da produção e recuperação econômica. Para fortalecer esse passo o mercado vem de investimentos em lançamentos de produtos, bem como de linhas mais acessíveis para enfrentar a redução do ticket médio do consumidor, nos supermercados.

Dentro da cesta de compras do consumidor amazonense, os refrigerantes e outras bebidas não alcoólicas que tem participação de, aproximadamente, 16%, caiu quase que pela metade, segundo o diretor de marketing do Grupo Simões, responsável pelos produtos da Coca-Cola na Região Norte, Márcio Dimas Vasconcelos.

“Assim como a maioria dos segmentos enfrenta queda nos indicadores, não é diferente para o segmento de bebidas. O consumidor, hoje, está com menos dinheiro, o que o levou a trocar por marcas mais baratas ou migrar para outras categorias”, explica Dimas.

Para passar pela queda do consumo de refrigerantes, o diretor de marketing diz que o Grupo Simões buscou como estratégia diferenciada a inclusão de produtos mais acessíveis no mercado. “Nós conseguimos ter um ano em termos de participação melhor do que a participação do mercado como um todo”, afirma.

A expectativa do segmento para o segundo semestre, conforme Dimas, não somente para o segmento de bebidas, mas para todos os outros, é de aquecimento na economia, que já foi possível sentir um pequeno movimento no final de julho e início de agosto. Ele aponta que em Manaus no aumento do número de contratações no Distrito Industrial no fechamento de julho, e o verão que começou nesse período justifica certo aquecimento do comércio. “Mais para frente as festas de fim de ano são também muito importantes para o segmento”, diz.

Com o patrocínio da marca Coca-Cola para os jogos Olímpicos e Paralímpicos, que incluiu Manaus como uma das cidades participantes do revezamento da tocha, Dimas conta que a empresa aproveitou o momento para colocar no mercado inovações para o consumidor. Entre elas, embalagens temáticas, garrafa de alumínio, e em julho, a Coca-Cola Stevia, com 50% menos açúcar, substituída por um adoçante natural de uma planta típica da América do Sul.

Na nossa estratégia de disponibilizar ao consumidor produtos com acessibilidade, o diretor de marketing lembra que o Grupo Simões lançou ainda ano passado a pet 2 litros retornável, que dá a opção ao consumidor de uma Coca-Cola com preço mais acessível. E no primeiro semestre de 2016, lançou também a nova embalagem da Fanta de 250 mililitros, com o mesmo objetivo.

Dimas explica que, além dos lançamentos da linha de refrigerantes, na linha de não carbonatados da marca Leão de sucos, néctares e refrescos, que o grupo também é responsável no Norte, foi lançado o Del Valle 100%, na versão uva e laranja. Ocorreu,  ainda, o reposicionamento da marca com a linha de néctar Del Valle bem como o lançamento do Del Valle Frut de 1,5 litro.

Possível mudança nos tributos preocupa

No rumo contrário da representante da gigante Coca-Cola, a Amazon Bebidas não enxerga, ainda, retomada do mercado no Estado, apenas a tradicional curva crescente, que acontece com a chegada do verão todos os anos. Mas, nada acima do volume de vendas do mesmo período do ano passado, segundo avalia o diretor operacional e sócio–proprietário da empresa, Antônio José Alecrim.

A preocupação do diretor, que ainda será sentida nas próximas semanas, é com relação às mudanças na tributação do Estado do Amazonas, que podem aumentar impostos para o segmento. Segundo ele, com o possível aumento de impostos, na atual situação que a economia se encontra, as consequências sobre o negócio podem ser piores.

“Geralmente quando tem aumento de custos, temos que repassar, mas se aumenta na ponta a demanda cai porque as bebidas frias não são itens de primeira necessidade”, observa.

Perspectiva

Alecrim diz que a Amazon Bebidas avalia os impactos internos, sobre os custos da empresa para decidir se repassará de fato o aumento do imposto ao consumidor. E diante desse cenário, a companhia, segundo ele, não enxerga nenhuma perspectiva de crescimento de mercado, da mesma forma como ocorreu no ano passado. “O problema não é o produto. É a demanda. Não tem dinheiro no mercado. O consumidor está muito seletivo. A economia geral do Estado está deficitária. Mas, se o emprego melhorar, quem sabe voltemos a crescer realmente”, diz.

Procurado para comentar a possível mudança na tributação, o secretário executivo da Receita da Secretaria de Estado da Fazenda do Amazonas (Sefaz-AM), Luiz Dias, não atendeu as chamadas aos contatos 98856-XXXX e 99200-XXXX, nem retornou as chamadas até o fechamento desta edição.

Por Emerson Quaresma

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