Economia

Vendas de livros encolhem 5,16%, com pior desempenho em uma década

O mercado editorial encolheu 5,16% em 2014, com o pior desempenho no faturamento em mais de uma década, segundo dados da principal pesquisa do setor.


O levantamento anual da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), feito por encomenda das entidades Snel (Sindicato Nacional dos Editores de Livros) e CBL (Câmara Brasileira do Livro), foi divulgado nesta quarta (3), no Rio.

Segundo a pesquisa, em 2014 as editoras comercializaram um pouco menos de livros para o mercado do que em 2013, passando de 280 milhões para 277 milhões. Essa pequena redução, quando a crise econômica ainda não era tão pronunciada, já era imaginada por editores, inclusive em virtude do período da Copa do Mundo, em que a procura por livros caiu.

O que puxou o desempenho para baixo, no entanto, foram as vendas para o governo. Nessa área, as compras variam a cada ano, conforme as séries escolares contempladas pelo maior programa do país, o PNLD (Plano Nacional do Livro Didático), do governo federal. Esse programa comprou 31% menos livros em 2014, passando de 176 milhões a 121 milhões.

Considerando todas as esferas de governo (outros programas federais, além de Estaduais e municipais), as vendas caíram 21%, de 200 milhões de exemplares em 2013 para 158 milhões no ano passado.

Estados e municípios, embora correspondam a uma parcela bem menor do total dessas negociações, compraram bem menos que em 2013, passando de 10 milhões de livros a 3 milhões no ano passado.

“DEPENDÊNCIA”

Ao longo da última década, quase todas as pesquisas anuais da Fipe apontaram para um crescimento do setor, muito calcado no aumento das compras de livros pelo governo durante a gestão Lula.

Até 2012, as variações anuais nas compras do PNLD não impactavam o mercado a ponto de tornar o crescimento negativo. Naquele ano, o desempenho das vendas para o mercado, um pouco melhor que o de 2014, fez com que o encolhimento do setor fosse de apenas 2,64%.

Marcos Pereira, um dos sócios da Sextante e atual presidente do Snel, credita o impacto maior dessa redução em 2014 a um cenário de “dependência”.

“O mercado de livros no Brasil tem a maior participação de governo no mundo. Em 2013, ela chegou a 28%, caindo a 23% em 2014. Como as editoras sabem que o governo é um cliente importante, muitas direcionam seus esforços para atender a essa demanda. Quando essa demanda deixa de existir, elas têm um problema”, argumenta.

FATURAMENTO

O encolhimento de 5,16% do mercado, já considerada a inflação do período (de 6,41%, segundo o IPCA), ocorreu apesar de um ligeiro aumento no faturamento total do setor, que passou de R$ 5,36 bilhões para R$ 5,41 bilhões.

Esse aumento nominal no faturamento (ou seja, sem considerar a inflação) decorreu de um crescimento do preço de venda do livro das editoras para o mercado, passando de R$ 13,89 em 2013 para R$ 15,03 em 2014.

Esse valor não inclui a porcentagem de distribuidoras nem de livrarias no preço de capa do livro, correspondendo a pouco mais da metade do preço real -a Fipe recomenda que o número seja usado com cautela, já que diversas variáveis entram na definição do preço de capa de um livro.

Ainda assim, considerada a inflação na última década, o valor é 43% inferior ao de 2004, quando o livro custava em média R$ 15,50 na venda das editoras para o mercado.

“Bateu um limite na redução. O valor foi caindo de 2004 até 2011, quando chegou em torno de R$ 12. Nesse momento, os editores dizem ‘não, não estamos conseguindo mais, precisamos reajustar nossos preços de alguma forma’. Daí para a frente se manteve mais ou menos estável em relação à inflação”, diz Pereira.

Embora a Fipe analise também números de vendas de livros digitais, estes ainda carecem de precisão. Pelo levantamento, os e-books corresponderiam a apenas 0,63% das vendas de livros no país, mas estimativas do mercado apontam para algo em torno dos 3%. Marcos Pereira acredita que o primeiro censo do livro digital, a ser realizado em 2016, ajude a esclarecer esses dados.

A pesquisa foi feita a partir de informações passadas por 195 editoras, de um universo de cerca de 700, mas cujo faturamento corresponde a algo como 71% do total. Os 29% restantes foram inferidos pela Fipe a partir dos dados fornecidos pelas editoras participantes.

Por Folhapress

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