Economia

Venda de veículos até maio é a menor em oito anos, dizem fabricantes brasileiros

No acumulado do ano, as vendas também registraram retração, de 9,7% - foto: arquivo EM TEMPO

No total, 212,7 mil veículos foram vendidos, entre carros de passeio, utilitários leves, caminhões e ônibus, 20,9% a menos do que no acumulado do ano passado – foto: arquivo EM TEMPO

As vendas de veículos novos caíram 27,5% em maio, ante o volume de um ano antes, mostrou balanço divulgado nesta segunda-feira (8) pela Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), entidade que representa as montadoras instaladas no país. Em relação a abril, a queda foi de 3%.

No total, 212,7 mil veículos foram vendidos em maio, em número que inclui carros de passeio, utilitários leves, caminhões e ônibus. O resultado leva para 20,9% o tombo desse mercado desde o início do ano.

O volume emplacado nos cinco primeiros meses -1,11 milhão de unidades- corresponde ao pior resultado da indústria de veículos em oito anos.

Só no segmento de carros de passeio e utilitários leves, que teve descontos no IPI retirados na virada do ano, os volumes de maio caíram 26,3%, na comparação com igual mês de 2014. Foram 205,2 mil unidades licenciadas, 3,2% a menos do que em abril.

Já as vendas de caminhões somaram apenas 6 mil unidades em maio, menos da metade do volume registrado um ano antes, de 12,7 mil veículos.

Ante abril, os emplacamentos de caminhões subiram, 3,9%. No segmento de ônibus, as vendas do mês passado foram 35,3% menores do que as de um ano atrás. No total, 1,5 mil coletivos foram entregues em maio, 7% abaixo perante abril.

As vendas de máquinas agrícolas equivaleram a 4.148 unidades em maio. Em relação a abril, a queda foi de 2,6%; na comparação com maio do ano passado, a retração ficou em 32,6%. Segundo o balanço da Anfavea, as importações responderam por 15,2% de todos os veículos vendidos no quinto mês de 2015, abaixo dos 16,2% de abril.

Apesar do recuo nas vendas, as exportações de veículos cresceram cerca de 3% no período, efeito da desvalorização do real e do aquecimento do mercado mexicano. “As vendas de maio foram bastante piores do que esperávamos”, disse o presidente da Anfavea, Luiz Moan.

Segundo Moan, além do quadro de fragilidade econômica do país, incluindo fatores como inflação alta e juros em elevação, o setor tem refletido maior seletividade dos bancos na concessão de financiamento para compra de veículos.

Produção em queda

A produção de veículos no Brasil caiu 3,4% em maio na comparação com abril, para 210,1 mil unidades, informou a associação nesta segunda.

Na comparação com maio de 2014, a produção de carros, comerciais leves, caminhões e ônibus teve queda de 25,3%. No acumulado de janeiro a maio houve baixa de 19,1%, para 1,092 milhão de unidades, ante o mesmo período do ano anterior.

De acordo com Moan, as montadoras têm um excedente de cerca de 25 mil funcionários, número que inclui aqueles com contratos de trabalho temporariamente suspensos (layoff) e que estão em férias coletivas. O setor teve nova contração no número empregados nas montadoras, desta vez de 1% sobre abril e de 9,2% ante maio de 2014, a 138,2 mil.

Para 2015, a associação previu queda de 17,8% na produção de veículos no Brasil em 2015, para 2,585 milhões de unidades, piorando expectativa anterior divulgada em abril de queda de 10%.

Para as vendas de carros, comerciais leves, caminhões e ônibus, a indústria vê agora baixa de 20,6% em 2015, para 2,779 milhões de unidades, frente a uma projeção anterior de queda de 13,2%.

Se confirmada, a projeção fará de 2015 o ano mais fraco em vendas desde os 2,46 milhões de 2007.

“Mas esse é um quadro conjuntural, não muda os planos de investimentos das montadoras para o longo prazo”, minimizou Moan, argumentando que a série de anúncios de aumento de capacidade de montadoras no país, assim como a chegada de novas marcas, têm como motivação expectativas para cerca de 20 anos.

Por Folhapress

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