Dia a dia

Vazante pode comprometer vida de moradores na zona rural de Manaus

Moradores da Colônia Antônio Aleixo e Puraquequara, que utilizam o transporte fluvial para sobreviver estão preocupados - foto: Ione Moreno

Moradores da Colônia Antônio Aleixo e Puraquequara, que utilizam o transporte fluvial para sobreviver estão preocupados com a descida acelerada do rio Negro – foto: Ione Moreno

A incerteza sobre a vazante do rio Negro neste ano, está deixando moradores do Puraquequara e Colônia Antônio Aleixo, na Zona Leste, em alerta, uma vez que parte dos habitantes destas áreas ainda utilizam o transporte fluvial para se locomover entre as comunidades. O Serviço Geológico do Brasil (CPRM), afirma que mesmo com a descida do rio, considerada normal para o período, ainda é impossível prever se a vazante de 2016 será severa, na região.

Na manhã desta terça-feira (23), a cota do rio Negro que desceu 7 centímetros, alcançou a marca de 25,31 metros, ficando 2,56m abaixo do nível registrado no ano passado, de 27,87 metros.

A preocupação dos moradores começou ainda no mês de junho, quando o rio registrou o nível máximo de cheia, não alcançando nenhuma das marcas registradas nos anos anteriores. A partir daí populares começaram a perceber que a descida da água está em processo acelerado, fato que não era visto nos anos anteriores. Esse cenário tem chamado a atenção dos moradores, principalmente de quem sobrevive com os serviços de travessia.

“Todos os anos marcamos até onde o rio chega no tempo de enchente. Este ano, a água não chegou nem perto da cota do ano passado. Os órgãos não sabem se teremos ou não uma vazante severa, mas nós que acompanhamos pessoalmente, todos os dias, percebemos que o rio está descendo muito rápido nos últimos dias, e isso é um sinal que a seca será sim uma das piores. Nossa preocupação é que, se de fato isso acontecer, como ficará o transporte dos moradores, que saem daqui do Puraquequara para o Terra Nova e outras comunidades. Vamos esperar para ver o que a natureza nós reserva este ano”, declarou Adriana Souza, 30, moradora da Colônia Antônio Aleixo.

Navegação

Já em outras calhas, onde a população começou a sentir os impactos da seca, em especial no rio Madeira, o cenário ainda é mais crítico. Para garantir a segurança dos navegantes, medidas emergenciais tiveram que ser adotadas, em virtude dos bancos de areias, formados pela vazante e que podem ocasionar acidentes da navegação, como o encalhe.

De acordo com o 9º Comando Naval, no dia 13 de julho, a Delegacia Fluvial de Porto Velho (DelPVelho – RO) emitiu o Ofício 224/2016 destinado às empresas de navegação, com base no item 0502.1.2, da Seção I, do Capítulo 5 das Normas e Procedimentos da Capitania Fluvial da Amazônia Ocidental (NPCF/CFAOC), suspendendo a navegação noturna de comboios (transporte de carga) no trecho compreendido entre os municípios de Porto Velho e Calama, em Rondônia.

Ainda segundo o comando naval, o referido ofício apresenta, também, os seguintes pontos críticos do rio Madeira, entre os municípios de Porto Velho e Humaitá (AM): travessia do Tamanduá, travessia dos Papagaios, e travessia de Curicacas, trechos que foram observados pela equipe de inspetores navais da DelPVelho, no período de 8 a 12 de julho, e nos quais foram encontrados bancos de areia.

O 9º Comando Naval destacou que o monitoramento vem sendo realizado pelas equipes de Inspeção Naval da Delegacia Fluvial de Porto Velho e da Agência Fluvial de Humaitá e por meio da leitura diária da régua de Porto Velho.

“A recomendação da Marinha do Brasil é que a navegação aconteça no período diurno, de modo que o comandante da embarcação identifique o canal de navegação, a formação de bancos de areia e pedras. Essas medidas visam garantir a segurança da navegação, a salvaguarda da vida humana e a prevenção da poluição hídrica, principalmente nos pontos críticos, durante o período de vazante do rio Madeira”, ressaltou o comando.

CPRM acompanha nível de Bacias

Dados do último boletim, emitido pelo CPRM revelam que na bacia do Purus, o nível do rio Acre, em Rio Branco, segue em situação de vazante extrema, apesar de ter subido 36 centíme-tros nos últimos seis dias. Segundo o órgão é preciso atentar para o fato de que as mínimas nessa estação ocorrem normalmente entre setembro e outubro – em 85% dos anos da série histórica – o que indica a probabilidade de que o nível do rio volte a baixar.

Na estação de Boca do Acre, a situação também é de vazante crítica. O rio Purus está apenas 0,86 centímetros de atingir a cota mínima histórica registrada em 1998 (3,49 m). Já na bacia do Negro e Solimões, ocorre o período de vazante regular em São Gabriel da Cachoeira, Santa Isabel do Rio Negro e Barcelos. No porto de Manaus, o rio Negro encontra-se com níveis den-tro da normalidade para o período.

Na bacia do Branco, o monitoramento mostra que está ocorrendo período de cheia com níveis oscilando em torno das médias normais para a época. Nas estações de Tabatinga e Manacapuru, os níveis do rio So-limões encontram-se próximos aos observados no mesmo período de 2010, quando ocorreu a vazante histó-rica nesse rio.

O órgão ressaltou ainda que na bacia do Amazonas, as estações monitoradas na calha prin-cipal do rio Amazonas encontram-se em processo de vazante crítica, com níveis abaixo da mé-dia para a época. O mesmo acontece na bacia do Madeira, que encontra-se em processo crítico de vazante. Em Humaitá, o rio está 1,02 metros abaixo do registrado para o mesmo período em 1969, ano em que ocorreu a maior vazante da série histórica nessa estação.
Na estação de Parintins, os níveis dos rios também estão próximos aos observados no mes-mo período em 2010, quando ocorreu a vazante histórica.

Defesa Civil monitora municípios

A Defesa Civil do Amazonas também vem monitorando a descida dos rios, com três equipes de técnicos enviadas para as calhas do Juruá, Purus e Madeira, realizando uma avaliação geral sobre o desastre natural.

O órgão ressaltou que continuam em estado de alerta as cidades de Boca do Acre, Pauini, Lábrea, Canu-tama, Tapauá, Guajará, Ipixuna, Envira, Eirunepé, Itamarati, Carauari, Humaitá, Manicoré, Apuí e Novo Ari-puanã.
Já Beruri, na calha do Purus e Juruá, na calha do Juruá, ainda continua no estado de atenção.

Por Gerson Freitas

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