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Vazante do rio Negro revela paisagem de lixo em Manaus

Ratos e insetos são vistos constantemente entre os detritos - foto: Ricardo Oliveira

Ratos e insetos são vistos constantemente entre os detritos – foto: Ricardo Oliveira

A vazante do rio Negro expõe um efeito da ação humana que acaba afetando os próprios moradores de Manaus: o lixo. No lago do Aleixo, na Zona Leste, nas orlas do Educandos, na Zona Sul e São Raimundo Zona Oeste, pneus velhos, pedaços de madeira, sacolas com lixo doméstico, garrafas plásticas, latas de cerveja e garrafas PETs, entre outros resíduos se amontoam no leito seco. O calor intenso acelera o processo de decomposição de material orgânico gerando forte odor. Os riscos à saúde também são grandes. Ratos e insetos são vistos constantemente entre os detritos.

A comerciante Raimunda Gomes, 41, que mora há 22 anos no bairro Colônia Antônio Aleixo, na Zona Leste, contou que há dois anos o lago do Aleixo não secava tanto, mesmo durante o período de vazante. “Aqui é uma área de comércio, pois tem vários flutuantes, mercearias e, agora, está desse jeito”, disse, apontando para a paisagem árida do local. “Não temos como ter cliente, se não tem água. Estamos nos esforçando e fazendo economia para poder não passar mais necessidade”, lamentou.

Raimunda deduz que parte do lixo que se acumula no leito do lago vem dos esgotos pluviais, arrastados da rua durante as chuvas. “Os esgotos que despejam lixo no rio são antigos, nunca nenhum órgão se mobilizou para mudar isso. Quando chega o período de cheia e vazante, é a gente que sofre com o impacto”, reclamou.

Na orla do Amarelinho, em Educandos, o cenário é semelhante. Há muito entulhos. As garrafas PET predominam na paisagem. O encanador Eduardo Brito, 27, disse que já esperava essa situação devido à falta de consciência dos moradores. “Os próprios moradores têm esse hábito de se desfazer do lixo jogando na natureza. E agora acontece isso, esse cenário triste que estamos vendo. O pior é que essa sujeira prejudica principalmente as crianças, que acabam adquirindo diarreia, hepatite entre outras doenças”, comentou.

Na orla do São Raimundo, a mesma situação se repete. Da varanda da casa, da qual se avista o rio, Eliane Góes, 52, disse que se preocupa com o que vê. “Não sei o que é pior: a cheia que faz o rio transbordar a ponto de retirar a gente da nossa casa ou a seca, que traz esse lixo todo, ratos e um odor forte”, declarou, com uma marcante expressão de dúvida.

Monitoramento do lixo

O trabalho de limpeza pode não resolver a dúvida de Eliane, mas a intenção é reduzir o impacto ambiental do lixo. A Secretaria Municipal de Limpeza Pública (Semulsp) informou que possui um cronograma de limpeza diária na orla de Manaus e que as equipes estiveram, na manhã da última quarta-feira (21), na orla do Amarelinho e no lago do Aleixo. Os trabalhos de limpeza devem continuar nos próximos dias.

Em relação aos esgotos, o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) informou que algumas empresas localizadas na área do lago do Aleixo são devidamente licenciadas e possuem estação de tratamento de efluentes (ETEs). Assim, os efluentes lançados já são tratados. O órgão comunicou ainda que essas empresas e suas estações de tratamento são constantemente monitoradas. O Ipaam informou também que pode haver outras origens dos resíduos, como domésticos, que são competência do município.

Por Michelle Freitas

1 Comment

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  1. Joao

    23 de outubro de 2015 at 08:59

    Que tal o morador porco imundo parar de jogar lixo nas ruas?

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