Dia a dia

Variedade genética de seringueira é estudada

Aproximadamente 500 exemplares de seringueiras foram analisados por pesquisadores brasileiros e franceses – foto: Marcio Melo

Aproximadamente 500 exemplares de seringueiras foram analisados por pesquisadores brasileiros e franceses – foto: Marcio Melo

A diversidade genética da seringueira (Hevea brasiliensis) – a única espécie de planta cultivada para produção comercial de borracha natural no mundo, nativa da floresta amazônica – poderá ser finalmente conhecida e preservada. Um grupo de pesquisadores brasileiros, de diferentes universidades e instituições de pesquisa no país, em colaboração com colegas do Centre de Coopération Internationale en Recherche Agronomique pour le Développement (Cirad), da França, descreveu a diversidade genética da seringueira a partir da análise de mais de mil exemplares da planta disponíveis em bancos públicos de germoplasma (patrimônio genético) na América do Sul.

Além disso, eles criaram uma coleção com, aproximadamente, cem árvores que representa toda a diversidade genética dessa população da planta. O estudo foi publicado na revista PLoS One. “Essa coleção de quase cem árvores poderá viabilizar programas de melhoramento genético da seringueira não somente no Brasil, mas em qualquer outro lugar no mundo interessado em cultivá-la, e proteger o germoplasma da planta”, diz Anete Pereira de Souza, professora do Instituto de Biologia e pesquisadora do Centro de Biologia Molecular e Engenharia Genética (CBMEG) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e coordenadora do estudo, à Agência Fapesp.

Os pesquisadores analisaram e caracterizaram com marcadores moleculares (pequenas regiões do DNA que variam de um indivíduo para outro) 1.117 exemplares de seringueiras coletados durante expedições realizadas nos últimos 35 anos na região de Madre de Dios, no Peru, e nos Estados do Acre, Rondônia, Mato Grosso, Pará e Amazonas, e conservados no Brasil e na Guiana Francesa.

Aproximadamente 500 exemplares analisados foram coletados durante uma expedição realizada em 1995 pela Embrapa e o Instituto de Pesquisa da Borracha da Malásia (RRIM) nos Estados do Pará e do Amazonas, e mantidos em uma área experimental da Embrapa Cerrado em Planaltina, a 40 quilômetros de Brasília. Até então não haviam sido descritos, multiplicados ou usados em programas de melhoramento genético.

Avaliação

A análise dos dados genéticos dos exemplares da planta mostrou que as populações de seringueira podem pertencer a dois grupos distintos, de acordo com suas “semelhanças” genéticas. O primeiro grupo é composto pela população da planta proveniente do Mato Grosso. Já o segundo grupo é integrado pelas populações de seringueira originárias dos do Acre, Rondônia, Amazonas e Pará e da região peruana de Madre de Dios. As seringueiras cultivadas na Ásia, por exemplo – aonde chegaram no início do século XX –, são semelhantes às do Mato Grosso, indicou o estudo.

 

Da redação

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