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Varejo teme que mudança de horário nas lojas do Centro traga mais demissões

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Ralph Assayag (esquerda) e Ezra Benzion (direita) disseram a Wilker Barreto (centro), em reunião realizada nesta quarta (20), que este não é o momento para implementar a proposta – foto: Ione Moreno

Os comerciantes de Manaus consideram que ainda não é hora de mudar o horário de funcionamento das lojas do Centro da capital, conforme proposto pelo vereador Mario Frota (PSDB), durante audiência pública da Câmara Municipal, na semana passada.

A conclusão é das lideranças do setor, que estiveram reunidas com o presidente da CMM, Wilker Barreto (PHS), em almoço realizado nesta quarta (20), com representantes da Federação da Câmara de Dirigentes Lojistas do Amazonas (FCDL-AM) e da Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus (CDL Manaus), na sede desta última, situada na avenida Djalma Batista, Zona Centro-Sul da cidade.

A sugestão de Mario Frota já foi adotada em outras capitais brasileiras e consiste em alterar o horário de atendimento dos estabelecimentos no início (7h) e fim da manhã (12h), bem como no início da tarde (16h), para melhorar o trânsito da cidade nos horários considerados ‘de pico’.

Os lojistas, no entanto, não escondem a preocupação com a possibilidade de serem forçados a demitir funcionários em um momento econômico de crise.
“Este é um momento muito delicado, em que o Distrito Industrial está tendo problemas, o que afeta também o comércio, que tenta manter os empregos. Algumas lojas têm reduzido entre 2% à 3% o quadro de funcionários, em consequência da crise”, lamentou.

De acordo com Assayag, os impactos gerados por essa mudança poderiam acarretar demissões de 30% a 40% nos estabelecimentos, mandando 40 mil pessoas para a rua.

“O que deveria ser feito era estender o horário de abertura do comércio. Com isso, poderiam ter mais pessoas empregadas. Mas, para isso, precisamos de segurança”, opinou o presidente da CDL-Manaus.

O presidente da Federação da Câmara de Dirigentes Lojistas do Amazonas (FCDL-AM), Ezra Azury Benzion Manoa, disse que é favorável as mudanças, mas salientou que não gostaria que estas fossem impostas.

No entendimento do dirigente, o fato de a mudança ter dado certo em outras capitais brasileiras não implica que o mesmo se dará em Manaus.
“Alguns projetos assustam. Mas, esses do tipo ‘Control C/Control V’ [copiados], para ver se isso dá certo em Manaus, são bastante assustadores. (…) A cidade está mudando, e algo precisa ser diferenciado para o Centro, mas é preciso que haja um consenso dos lojistas, para ver se é viável ou não essa mudança”, justificou.

Empresários ‘engessados’

Para o presidente do Grupo Bemol, Jaime Benchimol, os empresários têm sido engessados progressivamente devido a leis e exigências impostas. “Eu acredito nos políticos e nas boas intenções, mas a situação é dramática e é preciso mudar a referência. Estabelecer um único horário não vai captar nem resolver o problema”, frisou.

Ele defende que todos os outros estabelecimentos precisam de flexibilidade nos horários e, para isso, exemplificou as alternâncias do funcionamento dos shoppings, cinemas, praças de alimentação. “Essa conversa para diminuir congestionamento ficou anacrônico”, completou.

A supervisora de cobrança do grupo Casa do Eletricista, Valdirene Lopes, informou que os 200 funcionários da empresa trabalham distribuídos em dois horários e, com tal mudança, a segurança ficaria comprometida.

O diretor comercial do grupo TV Lar, Antônio Azevedo, avalia que o consumidor é adaptável a mudanças, e que, por meio de um ordenamento correto, a alteração poderia trazer menos estresse, economia de tempo e até melhoraria para o meio ambiente.

Poder público

Na avaliação do presidente da CDL-Manaus, o problema do trânsito não é de competência dos lojistas, mas do poder público, que durante os últimos anos, segundo ele, não abriu nenhuma avenida ou rua, ou mesmo implantou semáforos inteligentes.

“O funcionário que trabalha no Centro, sai do serviço para as escola ou faculdades. Esse funcionário trabalha e estuda no Centro, ele sabe o horário e utiliza a seu favor. O cliente ficará subordinado a um novo horário. Tem algo errado nisso”, desabafou Ralph.

Diante da recepção negativa dos varejistas à proposta, Wilker Barreto, tranquilizou os participantes da reunião e disse que ainda não há nada de concreto sobre o assunto.

“O tema é pertinente e será amplamente discutido. Manaus está com problemas de metrópole, problemas de mobilidade urbana, e o momento é de discutir com seriedade, maturidade e altivez. Em outras cidades isso funcionou”, encerrou Wilker Barreto.

Com informações de Conceição Melquíades (especial EM TEMPO Online)

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