Economia

Vale cai mais de 3%, mas Bolsa consegue fechar no zero a zero

O principal índice da Bolsa brasileira fechou nesta terça-feira (30) perto da estabilidade com a melhora no humor dos investidores no exterior, diante da expectativa de um acordo de última hora entre a Grécia e seus credores, antes de o país dar calote em uma parcela de 1,6 bilhão de euros da dívida com o FMI (Fundo Monetário Internacional).

O Ibovespa teve leve alta de 0,13%, para 53.080 pontos. O volume financeiro foi de R$ 5,362 bilhões. Em junho, o índice teve ligeiro ganho acumulado de 0,61%. No mês anterior, o indicador havia registrado baixa de 6,17%.

O desempenho negativo do índice no dia foi influenciado pela forte desvalorização de 4,12% das ações preferenciais da Vale, mais negociadas e sem direito a voto, para R$ 15,58 cada uma. O movimento ocorreu na esteira de mais uma desvalorização nos preços do minério de ferro na China -principal destino das exportações da mineradora brasileira.

Na Europa, os países da zona do euro rejeitaram o pedido de socorro de última hora feito pela Grécia nesta terça para evitar um calote de 1,6 bilhão de euros no FMI (Fundo Monetário Internacional). Os ministros de Finanças do bloco da moeda única, que tem 19 países incluindo a Grécia, fizeram uma reunião de emergência por teleconferência para avaliar o pedido. A resposta foi negativa.

Com isso, fica inevitável o não pagamento da dívida, que vence nesta terça (30), deixando a Grécia a partir desta quarta (1º) sem ajuda externa pela primeira vez em cinco anos. Em tese, o governo tem até as 18h do horário de Washington (19h em Brasília e 1h de quarta-feira (1º), pelo horário de Atenas) para quitar o débito com o fundo.

“O mercado brasileiro, que tem movimentado um volume financeiro pequeno, fica a mercê de especulações. Boa parte da crise grega já está contida nos preços dos ativos, e ainda é incerto o futuro do país. Por mais que um calote pareça inevitável, temos que esperar o plebiscito no domingo (5) e os desdobramentos da crise. Não é certo que a Grécia deixará a zona do euro, como alguns estão especulando”, diz Marcio Cardoso, sócio-diretor da corretora Easynvest.

Para Alexandre Wolwacz, diretor da escola de investimentos Leandro & Stormer, a esperança de um acordo de última hora para evitar o calote grego foi o que permitiu a Bolsa brasileira e os mercados acionários dos Estados Unidos subirem nesta terça (30). Em Nova York, o índice Dow Jones ganhou 0,13%, enquanto o S&P 500 subiu 0,27% e o Nasdaq teve valorização de 0,57%.

“Os índices europeus até reduziram um pouco as perdas, mas fecharam em queda. Há um receio de que uma saída da Grécia da zona do euro possa abrir portas para que o mesmo ocorra com outras economias frágeis na região, como Portugal, Espanha e Itália”, disse Wolwacz.

AÇÕES

As ações da Petrobras, que haviam começado o dia no azul, perderam força e fecharam em baixa. Os papéis preferenciais da companhia perderam 0,31%, para R$ 12,71 cada um. Os ordinários, com direito a voto, mostraram leve recuo de 0,14%, para R$ 14,03. O mercado seguiu repercutindo o plano de negócios da Petrobras para o período de 2015 a 2019, que foi divulgado na véspera.

As ações do setor siderúrgico estiveram entre as maiores quedas do Ibovespa, com as preferenciais da Usiminas cedendo 4,63%, a R$ 4,12 cada uma. A empresa anunciou na véspera que fechara sua sede às sextas-feiras para reduzir custos.

A Cielo esteve entre as maiores altas do Ibovespa, com ganho de 3,67%, para R$ 43,82. O BTG Pactual divulgou prévia para o resultado do segundo trimestre afirmando esperar números fortes, com lucro líquido de R$ 900 milhões.

“Trabalhamos com outro trimestre com forte performance de pré-pagamentos, reflexo das companhias se preparando para cenário mais difícil no segundo semestre e buscando melhorar balanço”, disse o BTG em nota a clientes.

Quem encabeçou a lista das maiores altas do Ibovespa foi a Estácio (+4,65%, para R$ 18). O Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação publicou nesta terça-feira portaria que prorroga para 20 de julho o prazo para a renovação semestral dos contratos de financiamento concedidos pelo Fies. A Kroton, também do setor educacional, ganhou 2,06%, a R$ 11,89.

CÂMBIO

No câmbio, o dólar reagiu com queda à briga pela formação da Ptax (taxa média de câmbio calculada diariamente pelo Banco Central, cujo valor no último dia útil de cada mês serve como referência para contratos no mercado financeiro), enquanto o mercado operou com cautela por causa da crise grega.

O dólar à vista, referência no mercado financeiro, teve desvalorização de 0,67% sobre o real, cotado em R$ 3,107 na venda. No mês, houve baixa de 2,29%. Já o dólar comercial, usado no comércio exterior, cedeu 0,28% no dia e 2,13% no mês, para R$ 3,110.

As atenções também estiveram voltadas à notícia de que o Banco Central deve reduzir sua atuação no mercado de câmbio em julho. A instituição anunciou na véspera que iniciará na quarta-feira (1º) as operações de renovação dos contratos de swap cambial que vencem no começo de agosto -operação que equivale a uma venda futura de dólares.

A oferta no dia será de US$ 340 milhões. Se mantiver esse ritmo ao longo do mês, o BC vai renovar menos de 70% do lote de contratos com vencimento em agosto, que soma US$ 10,675 bilhões. Em junho, o BC iniciou o mês indicando a renovação de 80% dos contratos, mas reduziu o ritmo ao longo das semanas e acabou por rolar cerca de 70%. Com isso, a instituição tirou do mercado cerca de US$ 2,5 bilhões.

 

Por Folha Press

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