Saúde e Bem Estar

Uso de cocaína é causa de infarto em jovens

Dr. Silas Avelar é cardiologista em três hospitais particulares de Manaus – Divulgação

Fatores de risco como hipertensão arterial, diabetes, obesidade, sedentarismo, tabagismo, histórico familiar são ligados a ocorrência de infarto, em geral, no público da terceira idade. Mas o problema também tem afetado os jovens, principalmente em consequência do uso de drogas, mais especificamente a cocaína. O alerta é do cardiologista Silas Avelar, que atua em três hospitais particulares de Manaus.

Conforme o médico, o infarto do miocárdio acontece quando uma artéria do coração fica obstruída e impede a circulação do sangue. Com isso, o oxigênio não leva a energia necessária para as células do coração funcionarem. A idade mais comum para acontecer em homens a partir dos 50 anos e em mulheres, em geral, a
partir dos 60 anos.

Silas Avelar enfatiza que a principal causa do infarto, hoje, é a doença arterial coronariana, isto é, os depósitos de placas de gordura na artéria coronária, causados pela obesidade e falta de cuidado com a alimentação. “Hoje em dia, o uso abusivo de produtos processados, de frituras e gorduras é muito grande. As classes C e D passaram a ter acesso a mais alimentos. Aumentou a quantidade, mas não melhorou a qualidade. Isso impactou o número de diabéticos, obesos e, consequentemente, aumentou o número de casos tanto de infarto quanto de AVC”, informa.

Entretanto, também pode ocorrer por questões genéticas. “Um paciente com o pai que apresentou um problema cardíaco por volta dos 50 anos, ou a sua mãe, perto dos 70, deve procurar acompanhamento médico”, recomenda.

Avelar indica às pessoas com histórico familiar de doenças cardiovasculares que comecem a realizar a prevenção primária, isto é, ir ao consultório médico, mesmo sem apresentar problemas, apenas para exames de rotina. Se os exames indicarem alterações, o tratamento deve ser iniciado.

“Desde os primeiros sintomas, deve-se procurar o médico para fazer a prevenção. Se você não impedir o processo, pelo menos você retarda, e faz com que se manifeste mais tarde”, alerta o médico.

Sintomas

Silas Avelar explica que o sintoma principal do infarto é a angina, a dor no peito que se apresenta depois de fazer esforço físico ou passar por emoções fortes. “Se a pessoa estiver em repouso, pode ser refluxo, outras reações relacionadas ao estômago ou ao esôfago. Mas a dor no peito e o cansaço fora do comum devem ser observados”, aponta.

Porém, para os corações mais jovens, o médico afirma que a doença costuma ser mais traiçoeira e pode chegar sem avisos. “No jovem, infelizmente o infarto normalmente não vem precedido de sintomas, porque não é preciso ter uma obstrução importante no vaso arterial”, destaca.

De acordo com Avelar, pode ocorrer o rompimento de uma placa denominada aterosclerose, na qual gordura e colesterol se acumulam e podem causar um processo inflamatório. É quando acontece o infarto.

Tratamento

O tempo para a realização dos processos de salvamento é fundamental. Quanto mais rápido forem realizados, maiores são as chances de recuperação do órgão.

De acordo com o cardiologista, o infarto deve ser tratado em ambiente hospitalar. No primeiro momento, o paciente deve ser encaminhado para a Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) para ser monitorado.

Quando o paciente chega ao hospital, há dois caminhos: o primeiro é ir direto para um setor de hemodinâmica para fazer o exame de cateterismo, um procedimento que faz a desobstrução da artéria. Deve acontecer em um prazo máximo de seis horas após o infarto.

Outra opção é usar medicamentos que dissolvam os coágulos, aplicados no paciente ainda na ambulância. Com o remédio, a artéria volta a ter fluxo. O procedimento também deve ser realizado em, no máximo, seis horas. “Depois desses cuidados, o paciente deve permanecer em observação para verificar possíveis problemas de arritmia e insuficiência cardíaca”, afirma.

Após sair do hospital, é preciso começar uma reabilitação, com medicamentos para baixar a pressão arterial, controlar o colesterol e os chamados antiagregantes plaquetários, que tem a função de “afinar o sangue”.

A medicação deve ser aliada a exercícios físicos como caminhadas, hidroginástica e outras atividades que não alterem muito a frequência cardíaca.

Laize Minelli
EM TEMPO

Comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Mais lidas

Subir