Dia a dia

Uso de anabolizante revela o risco por um corpo perfeito

musculacao-anabolizante-marcio-melo

Praticantes de musculação podem adquirir corpo definido de forma saudável, sem recorrer aos anabolizantes – foto: Márcio Melo

A busca pelo corpo esculpido à base de esteroides anabolizante tem levando jovens de aparência saudável a um vício muitas vezes sem volta. Substância que antes era usada somente por atletas em busca de mais força, velocidade e resistência dos músculos, o anabolizante passou a ser usado indiscriminadamente por homens, mulheres e até adolescentes que buscam ganhar massa corporal em pouco tempo.

No dia 6 deste mês, a autônoma Lucilene Souza Lima, 29, morreu após passar mal, em via pública no bairro Jorge Teixeira, Zona Leste.

A família acredita que a mulher foi a óbito em decorrência do uso do produto. Lucilene saiu de casa para comprar lanche, mas antes de chegar ao local, nas proximidades de sua residência, passou mal e desmaiou. À época, uma cunhada da vítima, que preferiu não ter o nome divulgado, informou que Lucilene malhava diariamente e fazia uso de suplementos alimentares. Ainda segundo a cunhada, três semanas antes de morrer, a autônoma estava usando algumas ampolas, que a família acredita ser de anabolizantes.

“Ela malhava direto porque se achava gorda e tomava suplementos, mas recentemente a gente começou a perceber que ela estava tomando umas ampolas, e toda vez que perguntávamos ela dizia que era um tratamento para a pele e não entrava em detalhes. Acreditamos que tenha sido essa a causa da morte, porque ela nunca passou mal antes”, relatou a cunhada da vítima, no dia em Lucilene morreu. As ampolas na ocasião foram levadas para o hospital, que chegou a atender a autônoma, e o médico informou que o gel estava corroendo os órgãos dela, principalmente o fígado.

Desnecessário

Para a personal trainer, Kátia Santos, o abuso desse medicamento não é novidade. O maior problema, atualmente, segundo ela, é a adesão às drogas nas academias convencionais. Ela considera o uso de anabolizantes desnecessário. “Os jovens buscam as chamadas bombas para inflar rapidamente a massa muscular, mas essas substâncias não oferecem nenhum benefício além do que você conseguiria treinando normalmente. Sempre vai existir gente comercializando essas drogas, pois tem gente que ainda as compra. Essas pessoas que compram deviam se informar melhor antes de se matar aos poucos com essas bombas”, destaca a profissional.

Segundo Kátia, a falta de paciência dos praticantes de musculação em esperar o corpo se desenvolver da forma correta e saudável é que muitas vezes acaba levando ao uso dos esteroides anabolizantes. Mas ela garante que é possível conquistar um corpo sarado somente com treino e dieta.

“Os praticantes da musculação precisam entender que é possível, sim, ter um corpo definido e sarado sem uso desses medicamentos. Para isso é preciso treinar corretamente, se alimentar corretamente e descansar da maneira correta. Duas coisas são importantes frisar, uma é que cada pessoa tem o metabolismo diferente, então treino e dieta nunca são iguais para todos, por isso a importância de se consultar com um profissional da educação física e nutrição. Outra coisa importante é que o ganho da massa pela forma correta leva um certo tempo, daí é preciso ter paciência”, explica.

Campanhas tentam conscientizar

De acordo com o presidente do Conselho Regional de Educação Física da 8ª Região (Cref-8), Jean Carlos Azevedo da Silva, ainda não há nenhum levantamento de dados sobre o número de mortes pelo uso do esteroide anabolizante no Estado, mas a autarquia sempre busca realizar campanhas de conscientização para que as pessoas não façam uso desse tipo de medicamento.

“Na verdade, nós buscamos fazer um trabalho de conscientização dos males que podem causar o uso dos esteroides anabolizantes. Já recebemos comentários de pessoas que viram no banheiro da academia seringa e ampola, inclusive a gente busca junto à polícia fazer investigação, mas de concreto nada nos foi apresentado. As pessoas denunciam pouco. O Cref-8 fiscaliza mais o exercício profissional e as pessoas jurídicas. Este ano foram, aproximadamente, 300 autuações em academias, a maioria por falta de registro no conselho. Só este ano já fechamos sete academias na cidade”, salienta.

Segundo Jean Carlos, no ano passado, o Cref-8 realizou uma campanha de conscientização em diversas academias da cidade. Cartazes e informativos foram distribuídos informando o perigo do uso de anabolizantes. Este ano, o órgão pretende fazer uma campanha ainda maior, com o uso de cartazes, vídeos, outdoors e redes sociais.

“É possível, sim, ganhar massa e ter um corpo esculpido sem o uso dos esteroides anabolizantes, mas não é da noite para o dia. É preciso muito treino correto, por isso é importante treinar com a supervisão de um professor de educação física. Alimentar-se bem e ter um bom descanso. Por incrível que pareça, o músculo cresce quando a gente está descansando e não quando estamos fazendo o exercício”, observa.

Academias se tornam alvo

O estudante Mauricio Costa, 19, é praticante de academia. Ele diz que é possível ficar forte sem o uso dos anabolizantes. “Eu venho a semana toda à academia, faço os exercícios com a orientação de um profissional e consigo resultados excelentes. Não preciso tomar nenhum medicamento para estar bem fisicamente”, afirma.

Mesmo sem nunca ter tomado algum tipo de medicamento para ganhar massa muscular, Mauricio conta que já foi abordado por pessoas que vendem e aplicam anabolizantes.

“Já me ofereceram diversos tipos de coisas na academia na qual eu fazia exercícios. Eles falavam dos resultados rápidos, músculos ainda maiores e que o assédio das garotas iria aumentar cada vez mais. Tudo para que eu comprasse o anabolizante, mas eu sempre recusei”, declara.

Arrependimento

A corretora Renata (nome fictício), 33, confessa que fez uso de anabolizantes e mesmo depois de ter parado ainda sofre os efeitos da ingestão dos medicamentos. “Há muitos anos, quando eu era mais jovem, fiz um único ciclo com anabolizante, parei porque de imediato tive efeitos colaterais, como a voz mais grossa, espinhas e queda de cabelo. O problema maior aconteceu anos depois, porque desenvolvi problemas na tireoide. O médico disse que pode ter sido por conta do uso dos anabolizantes. Eu ainda me exercito, mas não faço mais nada de errado. Quando vejo outras meninas usando anabolizante procuro contar minha história”, conta.

Michelle Freitas
Jornal EM TEMPO

Comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Subir