Política

Urna é segura, mas não infalível, dizem peritos

Nenhum sistema computadorizado é 100% seguro. Essa é a opinião dos especialistas quando questionados sobre a confiabilidade da urna eletrônica usada nas eleições. No entanto, medidas de segurança devem ser sempre tomadas – foto: TRE

Nenhum sistema computadorizado é 100% seguro. Essa é a opinião dos especialistas quando questionados sobre a confiabilidade da urna eletrônica usada nas eleições. No entanto, medidas de segurança devem ser sempre tomadas – foto: TRE

Em 2016 teremos eleições municipais. E como é comum nessa época, muitos boatos surgem alegando que as urnas são vulneráveis e promovendo uma série de teorias da conspiração. EM TEMPO conversou com dois especialistas para sanar definitivamente a dúvida se as urnas eletrônicas brasileiras são verdadeiramente confiáveis. O fato é que ao longo dos anos em que foi utilizada, a urna eletrônica brasileira já registrou episódios onde sua segurança foi quebrada.

O desenvolvedor web e especialista em segurança da informação Eduardo Araujo é categorico: “Todo equipamento eletrônico com sistema operacional computadorizado possui grandes riscos sim de vulnerabilidade. Houve casos inclusive no Amazonas onde eleitores digitavam o número do candidato e aparecia outra foto. As vezes isso é uma falha conhecida como “BUG” do próprio sistema operacional em gerenciar e processar essas informações”.

A opinião também é compartilhada pelo engenheiro Angilberto Muniz, um dos responsáveis pelo conceito do protótipo da urna. “Acredito que elas não são nem mais nem menos seguras que os sistemas da Receita Federal ou que o sistema bancário. Como em toda tecnologia, as possibilidades de falhas existem e sempre encontraremos “especialistas do mal” que tentam se aproveitar disso. Entretanto, também existem os “especialistas do bem” que trabalham incansavelmente para se antecipar e evitar maiores problemas”, afirma.

Corte de gastos

O recente anúncio do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre a dificuldade de ajustar o orçamento à realização do pleito preocupa Eduardo Araújo. “Isso vai depender do tipo de corte que serão feitos, claro a segurança da informação e estudos tecnológicos para a fabricação dos softwares e das urnas tem que ter o investimento necessário para que não haja maiores problemas ou fraudes em dias de eleições”, alerta.

Histórico

Presente na elaboração do conceito do que viria a ser a urna eletrônica, Angilberto Muniz relembra a sua contribuição para o projeto. “Sim, foi um evento muito interessante. Na verdade, 14 anos antes, em 1982, eu e um pequeno grupo de engenheiros professores da então Universidade de Tecnologia da Amazônia – UTAM (Atual Escola Superior de Tecnologia da UEA), apresentamos ao Ministro da Justiça um protótipo conceitual de uma urna eletrônica que foi muito bem recebida. O projeto nos rendeu 15 segundos de fama e bolsas de estudo para Mestrado. Pois bem, em 1996, quando da estréia das eleições eletrônicas, fui convidado a participar do processo como consultor. Passei alguns dias em Brasília e trabalhei nos bastidores no TJAM durante o processo. As dificuldades eram muitas na época. As comunicações eram precárias, a logística complexa, mas nos final, tudo deu certo.

Por Fred Santana

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