Dia a dia

Universitária de Manaus acusa cirurgião plástico de ter deformado seu nariz

Preço atrativo e demais facilidades seduziram Patrícia a fazer cirurgia na clínica Luz Estética Center – fotos: acervo da vítima

Preço atrativo e demais facilidades seduziram Patrícia a fazer cirurgia na clínica Luz Estética Center – fotos: acervo da vítima

O que era para ser a realização de um sonho acabou se tornando um verdadeiro pesadelo, para a universitária Patrícia da Silva Rocha, 30, que há dois meses luta para corrigir um erro médico, que ela afirma foi cometido pelo cirurgião plástico Ricardo Anibal Angulo Cuellar.

De acordo com Patrícia, no dia 12 de agosto, o médico realizou uma rinoplastia – cirurgia plástica que remodela o nariz – em uma clínica de estética, no bairro Parque Dez de Novembro, Zona Centro-Sul. Porém, após a retirada do curativo, segundo ela, o nariz estava “deformado”.

Ela contou que há 8 anos fez uma bioplastia, em que foi colocado um produto no nariz para molda-lo. “Com o passar do tempo eu descobri que o produto tinha uma substância cancerígena, aí fiquei preocupada e passei a ir a vários cirurgiões para fazer outro procedimento e retirar esse produto. Durante a procura, tive vontade de fazer uma sobrancelha definitiva e encontrei na internet a clínica Luz Estética Center, com o preço mais acessível. Ao fazer minha sobrancelha a dona do local, Luz Mariana, me indicou esse cirurgião, dizendo que ele havia deixado ela perfeita e que ele cobrava barato. Foi aí que tudo começou”, relatou Patrícia.

Segundo ela, na primeira consulta com o cirurgião, Ricardo Aníbal, ele teria lhe passado segurança, principalmente sobre os seus questionamentos sobre a cirurgia. O valor cobrado para o procedimento, segundo ela, foi R$10 mil, pago com a ajuda do pai de Patrícia, que fez um empréstimo bancário.

“Os outros médicos cobravam R$ 17 mil por conta do produto que eu tinha no nariz, ele foi quem cobrou mais em conta, e cabia no meu orçamento. Marcamos a cirurgia e ela foi feita dentro do pequeno consultório, da clínica Luz Estética Center. O doutor Anibal me explicou que a cirurgia seria feita lá porque as correções eram pequenas, mas para a minha surpresa ele acabou deformando o meu rosto. Eu o procurei porque estava insatisfeita e ele ainda chegou a mexer duas vezes, mas não adiantou. Pedi meu dinheiro de volta, mas ele me chamou de maluca, dizendo que meu nariz está perfeito. Pior que descobri que ele não mora em Manaus, vive no Rio de Janeiro e só vem aqui para fazer cirurgia algumas vezes por mês”, comentou.

A universitária afirmou que o cirurgião plástico não atende mais suas ligações e que na clínica na qual foi realizado os procedimentos, os funcionários informaram que a mesma foi vendida e uma nova proprietária assumirá a clínica a partir de dezembro. Desesperada, Patrícia registrou um Boletim de Ocorrência (BO), e também procurou o Conselho Regional de Medicina (CRM)-AM e denunciou o cirurgião.

“Depois que ele deformou o meu rosto minha vida praticamente acabou. Tive que adiar a data do meu casamento, me afastei do meu emprego e agora faço tratamento psiquiátrico porque estou com muita ansiedade. Fora que meus pais estão sempre me falando que cometi um erro. O Aníbal me bloqueou no celular e já disse que não tem mais nada para falar comigo, ele chegou inclusive a me ameaçar dizendo que eu iria ter consequências por expor ele na mídia. O que eu quero é que ele devolva o meu dinheiro para que eu faça outra cirurgia e corrija esse erro”, desabafou.

Ainda segundo ela, Ricardo Anibal realizou os procedimentos sem contrato e sem recibo, mas que tem os documentos assinados por ele. A equipe do EM TEMPO entrou em contato com o cirurgião pelo telefone *****2279 e com a dona da clínica de estética, na qual foi realizada a cirurgia,  pelo número ****0950, mas nenhuma  das ligações foi atendida.

CRM investiga
O presidente do CRM-AM José Bernardes Sobrinho, disse que ainda não está ciente da denúncia, mas afirmou que todo caso que chega à autarquia, o conselho apura. Ele disse ainda que nenhum procedimento cirúrgico como o de Patrícia poderia ser feito em uma clínica de estética.

“Vamos ouvir a denunciante, testemunhas e apurar provas, encaminhar por precatória para o Rio de Janeiro e lá será feita uma sindicância com o conselho. Depois o resultado volta para a gente e o médico será julgado aqui. Esse tipo de cirurgia não poderia ter sido feita em uma clínica assim porque oferece risco total ao paciente, muitas vezes o médico usa um registro falso. Se ele cometeu algum tipo de erro será punido, porque nenhum médico está passível de não ser punido”, afirmou.

Jornal EM TEMPO

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