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Uma das grande promessas do MMA no Amazonas começou como faxineiro de academia

Amazonense Victor Hugo das Neves, 25, começou trabalhando de serviços gerais em uma academia de Manaus, que hoje o patrocina. foto: divulgação.

Amazonense Victor Hugo das Neves, 25, começou trabalhando de serviços gerais em uma academia de Manaus, que hoje o patrocina. foto: divulgação.

Victor Hugo das Neves, 25, tem uma história de vida interessante. Há alguns anos, o amazonense era faxineiro de uma academia em Manaus, e enquanto exercia seu trabalho do dia a dia, observava com admiração os treinos de artes marciais. Hoje, anos depois, a admiração se tornou o seu novo ganha pão. Victor é lutador de MMA profissional e, coincidentemente, é patrocinado pela academia onde labutava.

Ele é uma das promessas das artes marciais mistas e tem aprimorado suas técnicas na Alemanha. Ele conta que tudo em sua vida começou por acaso. “Na verdade, não tinha condições de pagar a mensalidade. Um dia alguns amigos me convenceram a ir treinar com eles. Expliquei ao professor a minha situação, que eu era um garoto problemático no colégio, que era rebelde”, conta o atleta. “Foi a partir daí que conheci o professor Antônio Barbosa, que tinha um projeto chamado Construindo Cidadania. Foi quando eu me motivei mais, porque ele era um homem de muito caráter, honesto e muito rigoroso nos treinos. Fiquei lá até minha faixa marrom, participei de várias competições nacionais em diversas cidades do Brasil”, completa.

A atração pelo jiu-jítsu começou com admiração. Foi observando disputas de lutadores conhecidos e se tornando fã deles que Hugo decidiu praticar a modalidade. “Eu tinha essa vontade de lutar. Já vi o Jacaré (Ronaldo, peso médio do UFC) e tive vontade de praticar jiu-jítsu. Aos 13 anos de idade conheci o professor Luiz Leal. No meu primeiro dia de aula com ele não foi fácil. Pensei em desistir várias vezes, mas minha persistência foi maior”, explica.

Hugo pretende seguir a carreira no esporte e brilhar nos octógonos mundo afora, e ele sabe que disputar grandes competições é o requisito básico para alcançar o estrelato. Um desses eventos é o International Pro Combat (IPC), na Alemanha. Ao participar do torneio, aos 18 anos, em 2008, Victor recebeu dos torcedores alemães o apelido de “Coyote”, espécie de lobo que vive solitário. “Eu sempre treinei forte. Eu batia, apanhava, era muito intenso. Acho que meu maior orgulho é dizer que sou amazonense”, declarou.

Na carreira, o atleta já abocanhou cinco vezes o Campeonato Amazonense, um Brasileiro e foi vice-campeão no GI e bicampeão do Adcc Atrial Submission Fighting, além de conquistar também o Open Brasília e se tornar vice do Rio Open Internacional. Mas de todos esses títulos, o mais marcante, segundo Hugo, foi o Fiboll Grappilling, realizado na cidade de Dortmund na Alemanha. “Viajei quatro horas de carro, cheguei na hora que minha categoria estava começando, fiz cinco lutas finalizei todas”, lembra.

Recentemente, o lutador ganhou o IPC 8 Internacional Pro Combat realizado em Lisboa, Portugal, de um adversário  duríssimo, o também brasileiro Bruno Cabralia. A vitória na categoria até 77 quilos foi por meio de uma finalização com um mata-leão no primeiro round.

“No Jiu-jítsu lutei na categoria superpesado pelo fato de ser brasileiro e também porque meus adversários ficaram com medo de lutar comigo. Então, tive que subir de categoria”, recorda. Tudo isso foi testemunhado pelo técnico Luiz Leal, que considera Hugo um atleta de grande potencial para se tornar uma estrela do Ultimate Fighting Championship (UFC). Hugo não esquece da ajuda que teve no início da carreira. Ele cita nomes como seu primeiro professor, Luiz Leal. Mas hoje em dia ovaciona Daniel Lima, seu atual técnico nas artes marciais. A rotina de competições nacionais e internacionais é outro “adversário” que o atleta diz ter dificuldades para vencer. Hugo revela que é muito apegado à família e sente saudade quando passa muito tempo longe dos pais e irmãos. “Eu sei que tudo isso é em prol de algo que vou colher lá na frente. Sou feliz porque consigo realizar os meus sonhos e fazer o que gosto. Quem sabe um dia trago eles para morarem comigo na Europa”, disse Hugo, que vive em Sturttgart, na Alemanha.

 

Frio como adversário

Do outro lado do país, Victor experimentou pela primeira vez o inverno. Ele passaria apenas três meses na Alemanha, mas acabou ficando por mais anos. “Eu dizia para os meus pais que morava sozinho, mas eu ficava com umas 14 pessoas na mesma casa”,

revela sorrindo.

Sobre a sensação de representar bem o Amazonas, Victor ressalta a alegria e orgulho de ser amazonense. “Tenho orgulho desse povo guerreiro que veio do índio, do cafuzo, do caboclo, que não se entrega nunca, que sempre tem para dar, para ajudar o próximo. Sinto uma emoção inenarrável quando chego aqui nesse Estado, que foi o Estado que me lançou para o mundo. Victor é integrante da Equipe Clube Pina, no bairro Praça 14, e é patrocinado pela Personal Fitness.

 

Por Lindivan Vilaça

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