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UE pede ação militar contra imigração ilegal pelo Mediterrâneo

A chefe da diplomacia da UE (União Europeia), Federica Mogherini, defendeu nesta segunda-feira (11) uma operação militar contra o tráfico de seres humanos pelo Mediterrâneo e pediu ajuda à comunidade internacional.

“Nossa prioridade é (…) evitar uma perda maior de vidas no mar”, afirmou Mogherini ao apresentar o plano da UE para enfrentar uma série de naufrágios de barcos que levavam imigrantes africanos.

Estima-se que, desde o início deste ano, as mortes na travessia do Mediterrâneo já sejam cerca de 1.800.

Mogherini insistiu na necessidade de tratar todos os aspectos desta “situação sem precedentes” e pediu uma estreita colaboração internacional.

A UE busca a aprovação do Conselho de Segurança da ONU para uma ação militar contra os traficantes de pessoas. “Não é só uma emergência humanitária, mas também uma crise de segurança, já que as redes de traficantes estão vinculadas a atividades terroristas e as financiam”, argumentou a chefe da diplomacia europeia.

“A UE está disposta a assumir suas próprias responsabilidades: salvar vidas, acolher refugiados, tratar as causas profundas e desmantelar as organizações criminosas. Mas não podemos fazer isso sozinhos; precisamos de uma aliança se quisermos colocar fim a estas tragédias”, acrescentou Mogherini.

Críticas

Antevendo as críticas ao seu discurso, a diplomata afirmou que “nenhum refugiado ou imigrante interceptado no mar será reenviado [à África] contra sua vontade” e disse que nenhuma operação será empreendida sem o consentimento da Líbia, porto de onde sai a grande maioria dos imigrantes.

A ONU trabalha em uma resolução que autorizaria abordar e eventualmente destruir as embarcações utilizadas pelos traficantes. No entanto, a Rússia -que tem assento permanente no Conselho de Segurança- e outros países europeus têm se mostrado reticentes.

Os ministros europeus das Relações Exteriores e da Defesa se reunirão em 18 de maio para discutir detalhes das operações.

O secretário-geral da Otan (aliança militar ocidental), Jens Stoltenberg, declarou que, embora a aliança não tenha sido chamada a participar das operações, apoia totalmente a União Europeia.

Por sua vez, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, elogiou a UE por seus esforços para resolver os problemas migratórios, mas afirmou que “não há solução militar para as tragédias do Mediterrâneo”.

O fluxo de imigrantes da Líbia para a Europa cresceu exponencialmente depois da queda, em agosto de 2011, do ditador Muammar Gaddafi, morto dois meses depois.

Acordos entre Gaddafi e países da UE resultaram em patrulhas navais em conjunto com a Itália, leis que puniam mais duramente a imigração ilegal e na construção de centros de detenção de imigrantes em território líbio.

Entidades de direitos humanos como a Anistia Internacional relataram casos de superlotação, estupro, violência e tortura nesses centros.

O caos político em que a Líbia mergulhou após a deposição do ditador, com milícias lutando por parte do território, estimulou a fuga pelo Mediterrâneo na direção da Europa.

Por Folha Press

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