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Túneis do Compaj podem ter orientação técnica

Escavações obedecem a critérios técnicos - foto: Arthur Castro

Escavações obedecem a critérios técnicos – foto: Arthur Castro

Engenheiros ou especialistas em obras podem estar por trás dos cinco túneis encontrados no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), localizado no quilômetro 8, da BR-174 (Manaus – Boa Vista), nos últimos três meses. Para confirmar as suspeitas, uma equipe da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), em conjunto com a Coordenação do Sistema Penitenciário (Cosipe), investiga o caso. Isso porque os túneis foram escavados respeitando, milimetricamente, as exigências de construção civil para não comprometer a estrutura física da passagem subterrânea.

Os cinco túneis encontrados, a partir do mês de janeiro, possuíam estruturas compatíveis às construções feitas por especialistas. “Eles usam todos os elementos necessários para não danificar o projeto. Mas como impedimos a finalização, sempre realizamos a concretagem de toda a extensão dos túneis, primeiro para evitar o uso novamente do espaço e segundo, para manter a segurança da edificação”, explica o secretário de Administração Penitenciária, Pedro Florêncio.

Indagado sobre como os internos tiveram acesso à planta baixa do Compaj, Florêncio chama atenção para o fato de que cópias do documento estão disponíveis na sede da Seap, da Secretaria Estadual de Infraestrutura (Seinfra) e na empresa que construiu o complexo penitenciário. “Estamos em investigação e vamos descobrir quem repassa essas informações aos presos. Eles podem saber em que direção fugir, uma vez que passam alguma parte do dia na área externa da unidade, no entanto, as construções dos túneis chamam atenção pelo fato de seguirem as exigências da construção civil, sem sinistros”, observa.

Conforme o secretário, a ideia do crime organizado é desestabilizar o Estado com uma fuga generalizada. “Resistimos ao crime organizado e estamos fazendo a nossa parte. Eles pretendem fazer com que o Estado modifique o secretariado. A ordem das lideranças é uma fuga em massa. Estamos atentos à construção de novos túneis e nos mantemos sempre em diligências para impedir a ação deles com o trabalho do Dipen (Departamento de Inteligência Penitenciária) e Cosipe”, destaca.

Fiscalização

O presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Estado do Amazonas (Crea-AM), Cláudio Guenka, vai solicitar junto à Seap uma autorização para fiscalizar as instalações de infraestrutura do Compaj. A medida, segundo Guenka, se dá diante da série de descobertas de túneis dentro da unidade prisional. “Construir um túnel não é tarefa para amador e nem é fácil de criá-lo. É preciso todo um estudo de impacto. Então, vamos marcar uma visita no local, pois é possível que a estrutura predial possa ter sido abalada com as constantes obras no presídio”, informa.

Para o presidente do Crea, é possível que as construções de fuga estejam sendo acompanhadas por pessoas técnicas, uma vez que construir um túnel pode comprometer toda a infraestrutura predial.

Por Thaís Gama

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