Sem categoria

Tucumã está em falta e tem aumento superior a 100% em Manaus

Nas feiras e nos cafés regionais de Manaus, o produto está escasso - foto: arquivo EM TEMPO

Nas feiras e nos cafés regionais de Manaus, o produto está escasso – foto: arquivo EM TEMPO

 

“Não temos tucumã nem para fazer remédio”. A frase, dita por uma empresária de Manaus, reflete algo atípico que vem ocorrendo na cidade.

Motivado pelo período de entressafra, uma das iguarias mais consumidas pelo amazonense, o tucumã, sumiu das feiras e cafés regionais de Manaus, fazendo com que o preço do fruto tenha um aumento superior a 100% na capital. Outra iguaria cujo preço também disparou por causa da escassez foi a castanha-do-pará, usada no recheio de bolos, tapiocas, entre outras guloseimas nos cafés da cidade.

Segundo a empresária Darlene Aquino de Souza, do Café Caboclinho, na rua Riomar, Vieiralves, a saca do tucumã aumentou de R$ 100 para R$ 400. “O aumento começou na entressafra. Primeiro foi para R$ 250, depois para R$350 e, de uma hora para outra, foi para o preço que estamos. Esses dias me ofereceram por R$ 450, mas preferi não comprar. Em 10 anos que trabalho nesse ramo é a primeira vez que o tucumã atinge esse valor”, relatou a empresária.

Ainda conforme Darlene, mesmo com o aumento no valor do fruto, ela não repassou os custos para seus clientes, mas admite que diminuiu a quantidade do recheio da iguaria nas tapiocas. “Não aumentei o valor do nosso produto, mas eu fiz uma adaptação. Reduzi a quantidade que vai na tapioca, e se ele quiser como antes, muito recheada, fizemos um acréscimo de R$ 3”.
Os produtos mais procurados como o tucumã no café regional é o “Caboquinho”, que vai tucumã e queijo (custa R$ 8) e o caipira, com tucumã, queijo e banana (R$ 12).

Feiras
Nas feiras de Manaus o produto está escasso. Segundo o vendedor Edvaldo Negreiros, que tem uma banca de frutos regionais, quando chega o produto não dá para nada. “Estamos em período de entressafra e as frutas estão verdes no mato. O tucumã precisa de muito sol e chuva, para amadurecer. O pessoal dos cafés regionais vem aqui, mas não encontram o produto, que custa em torno de R$ 350 a R$ 400 a saca. Muitos donos de estabelecimentos preferem não comprar ou substituir pela banana, mas não é a mesma porque a banana é muito doce e os clientes não gostam”, afirmou.

Segundo os feirantes a previsão é de que se continuar chovendo até o final deste mês os frutos já comecem a aparecer com valor mais baixo nas feiras da cidade.

“Quando não temos problema à média de preço, por saco, é de até R$ 200. Porque tem muita procura. A verdade é que esses produtos, na época deles, não valem nada. O tucumã quando está na safra mesmo sai por até R$ 20. São produtos que só tem esses aumentos quando está faltando, mas que quando tem muita oferta muitas vezes são jogados fora, se estragam, vão para o lixo. Mas agora, como tem pouca fruta, as pessoas não conseguem encontrar e os preços vão lá para cima”, disse o feirante Aldair Lira de Oleira, que possui uma banca na feira da Banana, no centro de Manaus.

Conforme o engenheiro florestal, do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (Idam), Nelson Felipe, o tucumã é um fruto de culturas extrativistas e não há um controle sobre a produção, nem o plantio do mesmo. “Sabemos pouco sobre o plantio do tucumã, pois ele faz parte de uma cultura difícil de ser acompanhar”, conta.

Por Stênio Urbano

Comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Subir