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Tuberculose avança e Amazonas tem 411 casos em dois meses

Falta de informação sobre a doença contribuem para que a tuberculose se espalhe pelo Estado - foto: divulgação/SEDUC

Falta de informação sobre a doença contribuem para que a tuberculose se espalhe pelo Estado – foto: divulgação/Seduc

A desinformação tem sido um fato determinante para o agravamento da tuberculose e, consequentemente, as mortes causadas pelas complicações da doença entre pacientes, em Manaus. Na capital amazonense, 200 pessoas morrem por ano, em média, vítimas da doença. De janeiro a fevereiro deste ano, foram registrados 411 diagnósticos em todo o Estado.

“Muitos casos de morte se dão por conta do diagnóstico tardio, a pessoa que tem tosse acha que não é nada grave, vai piorando, quando ela chega no hospital já está com hemorragia pulmonar e não há mais como fazer nada. Outra causa importantíssima é o HIV associado com a doença, porque tem que tratar as doenças conjuntamente, porque se tratar só uma não resolve e acaba evoluído para morte. A falta de informação também contribui, muitos confundem os sintomas”, explicou Marlúcia da Silva Garrido, coordenadora do Programa de Controle da Tuberculose do Amazonas.

Segundo dados da Coordenação Estadual de Controle da Tuberculose, no Amazonas, foram registrados 3.709 casos da doença em 2015. Nos dois primeiros meses deste ano, foram notificados 411 casos. Estes números ainda estão sujeitos à alteração. O Amazonas está entre os estados brasileiros com a maior taxa de incidência desta doença infecciosa e transmissível.

No ano passado, foram registrados 3.709 casos da doença no Estado, em 61 dos 62 municípios. De acordo com Garrido, 70% dessas ocorrências foram verificadas em Manaus e 30%, no interior. “Em 2015, somente Guajará não notificou casos da doença. Mas isso não significa que o município não teve ocorrências, porque em anos anteriores houve notificações. Em Manaus, em todas as zonas da cidade temos casos registrados. Podemos dizer que essa é uma doença que ainda assusta muita gente”, afirmou.

Para alertar sobre a endemia, foi realizado ontem em Manaus um seminário sobre o tema, com a participação de estudante, professores e moradores do bairro Educandos, Zona Sul, no qual foi tratada a importância de adotar medidas preventivas. A formação foi organizada pela Secretaria de Estado de Educação (Seduc), Fundação de Vigilância em Saúde (FVS), Secretaria Estadual de Justiça (Sejus) e demais instituições que compõem o Comitê Estadual de Tuberculose do Amazonas.

“A população precisa ser esclarecida sobre onde encontrar ajuda. Nós temos o maior índice de taxa de tuberculose do país, então é necessário que todo mundo esteja com conhecimento da doença. Saber que precisa procurar uma unidade de saúde próxima em caso de sintomas, pois todas as unidades de saúde estão capacitadas a tratar da tuberculose. Vale lembrar que tanto o diagnóstico e tratamento da doença são grátis”, frisou Marlúcia.

A coordenadora da ação pela Secretaria de Estado de Educação (Seduc), Delta Segadilha, explicou que a disseminação das informações é fundamental para que os estudantes, professores e toda a comunidade escolar estejam empenhados na luta contra a doença. “Comemoramos no dia 24 o dia mundial de luta contra a tuberculose, portanto, estaremos mobilizando toda a comunidade escolar para o enfrentamento efetivo contra a tuberculose, uma vez que estudantes, professores, servidores e toda a comunidade escolar também estão sujeitas aos riscos dessa doença”, informou.

Estudo inédito

Com a finalidade de buscar respostas a inúmeras perguntas sobre a infecção mais letal atualmente, que mata 1,5 milhão de pessoas no mundo todos os anos, um grupo de instituições de vários países está conduzindo um estudo com pacientes e seus contatos próximos. Serão obtidas desses indivíduos amostras de sangue, urina e secreções respiratórias que serão armazenadas em biorrepositório para pesquisas sobre a doença. Entre as instituições que integram o estudo, está a Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), vinculada.

“No caso das instituições brasileiras envolvidas no projeto, o material coletado permanecerá guardado em condições apropriadas, no biorrepositório da Fundação José Silveira, de Salvador, na Bahia”, explicou Marcelo Cordeiro, que coordena a equipe pesquisadores da FMT envolvida no projeto. Segundo ele, além do Brasil, participam do estudo multicêntrico instituições da Índia, África do Sul e Indonésia.

A versão nacional do projeto, batizada de Pesquisa Regional Prospectiva e Observacional em Tuberculose (RePORT-Brasil), envolve, além da FMT e da FJS, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz/RJ) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Por Michelle Freitas

Equipe do EM TEMPO

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