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Tropas sob comando da ONU sairão do Haiti até o final do ano que vem

O governo federal vai retirar, até o final de 2016, as tropas brasileiras que atuam na missão de paz da ONU (Organização das Nações Unidas) no Haiti.

O ministro Jaques Wagner (Defesa) disse nesta quinta-feira (21), em audiência no Senado, que a decisão foi tomada pelas Nações Unidas -que pretende fazer a retirada total dos militares que atuam no país da América Central, inclusive de outras nacionalidades.

“No ano que vem, a previsão é de retirada total das forças, não só do Brasil, mas das Nações Unidas. Neste ano, inclusive, vários oficiais de outros países da América do Sul já foram comunicados do seu retorno”, afirmou Wagner.

O Brasil chefia a missão de paz da ONU no Haiti, conhecida como Minustah.

Segundo o ministro, há 1.343 militares brasileiros atuando hoje no país, número que será reduzido para 850 até o final deste ano, antes da retirada total.

Em junho de 2015, a previsão do Ministério da Defesa é que o número já esteja em 970 brasileiros no Haiti.

Wagner disse que a retirada será gradativa, com os militares brasileiros deixando por último a cidade de Porto Príncipe (capital do país).

Os soldados de outros países, que atuam nas demais cidades, vão se retirar antes da saída total dos brasileiros em 2016.

Em audiência na CRE (Comissão de Relações Exteriores) do Senado, Wagner disse que a missão do Brasil no Haiti completou dez anos, com gastos de R$ 2,3 bilhões -dos quais R$ 1 bilhão foram reembolsados pela ONU.

“Há um investimento líquido de R$1,3 bilhão [do governo brasileiro]. É uma missão humanitária que já tem porta de saída e data prevista para acabar”, afirmou o ministro.

ORÇAMENTO

Na audiência, Wagner cobrou um aumento nas verbas destinadas ao Ministério da Defesa. O ministro disse que o governo precisa investir na pasta com o objetivo de defender o seu patrimônio, a paz e o fortalecimento da democracia brasileira.
“Ainda temos um orçamento, vis-à-vis o PIB, inferior à média sul-americana, à recomendação internacional. Estamos com 1,5% do PIB, no caso da Defesa, quando, na América do Sul, essa média é de 2,3%. Nós estamos abaixo e precisaríamos avançar nisso aí se quisermos efetivamente fazer o desenvolvimento que queremos”, afirmou.

O ministro disse que as Forças Armadas brasileiras precisam de investimentos para atuar em defesa da paz, dentro e fora do país. “Não podemos nos desguarnecer. Não queremos ir para a briga. Mas é preciso que os vizinhos e todos saibam que estamos aqui.”

Sobre a Olimpíada de 2016, Wagner disse aos senadores que 37 mil militares vão trabalhar no evento. A preocupação do governo, segundo Wagner, são possíveis “ameaças terroristas” que podem ter repercussão internacional com a maciça presença de atletas de outras nacionalidades.

“Não temos esse histórico, mas não podemos deixar, até porque os países que vão estar aqui são objeto de desejo de terroristas”, afirmou.

Por Folhapress

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