Política

Troca de partido modifica cenário pré-eleitoral no AM

 

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O PMDB é um partido consolidado no Amazonas e um dos maiores do Brasil – foto: reprodução

Com a saída da deputada estadual Alessandra Campêlo e do deputado federal Hissa Abrahão, o PCdoB e PPS, respectivamente, perdem dois potenciais candidatos à Prefeitura de Manaus: Alessandra vai para o PMDB, comandado pelo ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga e Hissa para o PDT, oficializando uma aproximação com o ex-prefeito Amazonino Mendes, principal nome da legenda. Essas mudanças mechem no tabuleiro pré-eleitoral e forçam uma mudança nas estratégias de jogo dos partidos, de olho na sucessão municipal.

O líder do PDT na Assembleia Legislativa do Estado (Aleam), deputado Dermilson Chagas, confirmou ontem a filiação de Hissa em seu partido. “A informação que tivemos é que o deputado Hissa Abrahão conversou com a direção nacional do partido e está vindo para o PDT. Avalio a vinda dele com naturalidade. O partido tem grandes nomes e que ele venha identificado com a ideologia do PDT. Todo mundo que entra é um soldado que está pronto para a luta. Acredito que ele tem a intenção de ser pré-candidato à Prefeitura de Manaus”, afirmou Chagas.

Apesar de Hissa já ter anunciado que está migrando para o partido, fundado por Leonel Brizola na década de 70, a assessoria de imprensa do parlamentar disse ontem que o deputado federal só vai se pronunciar oficialmente sobre a mudança de partido no dia 18 deste mês, último dia do prazo da janela partidária que se abriu para o troca-troca de legenda.

Já Alessandra Campêlo, em tom de despedida, usou a tribuna da Aleam ontem pela manhã, para anunciar oficialmente sua saída do PCdoB e ingresso no PMDB. Militante há 21 anos da legenda, ela afirmou que, desde que foi eleita em 2014 para deputada estadual, era hostilizada no partido comunista e por isso agora era a hora de acabar esse “relacionamento” que durou mais de 20 anos.

“Estava há 21 anos no PCdoB e chegou um momento em que não é mais possível caminhar juntos. Tivemos alguns atritos internos e um ambiente em que eu não me sentia bem desde a eleição em 2014. Quando eu fui eleita deputada estadual, fui ao partido para comemorar a eleição eu fui vaiada e hostilizada em várias reuniões. Cumpri uma etapa na minha vida e fui uma militante dedicada que contribui com o meu trabalho e até financeiramente do meu salário sempre com o partido e nos cargos que ocupei indicada pelo partido tive muita dedicação deixando até a minha vida particular de lado muitas vezes. Mas, agora não podemos mais caminhar juntos e por isso eu vou seguir outro caminho”, afirmou.

Campêlo confirmou que vai se filiar ainda hoje no PMDB em Brasília em uma reunião com o ministro das Minas e Energia, Eduardo Braga e com o vice-presidente da República, Michel Temer. “O PMDB é um partido consolidado no Amazonas e um dos maiores do Brasil. Tem um trabalho forte no interior e metade da minha votação veio do interior do Estado. Era pré-candidata à prefeitura no PCdoB, mas todos sabem que dificilmente eu seria a escolhida. Se o PMDB precisar do meu nome estarei à disposição para ser candidata a vice-prefeita juntamente com o deputado federal Marcos Rotta que está muito bem nas pesquisas”, adiantou.

 

Surpresa

O presidente estadual do PCdoB, Eron Bezerra disse que o anúncio da desfiliação da deputada Alessandra Campelo foi uma surpresa. Ao contrário do que ela disse que era hostilizada no partido, Bezerra afirmou que ela sempre teve o apoio do partido comunista e que tinha grande chance de ser escolhida candidata oficial à Prefeitura de Manaus no pleito deste ano.

“Não estava esperando isso. Ela (Alessandra Campelo) é uma parlamentar eleita pelo PCdoB e tem uma história longa no partido. Sempre foi prestigiada. Lamento profundamente não fui informado dessa decisão dela. Sobre a declaração dela que teria sido hostilizada, existem boato e o fato de existir rugas entre militantes não refletem a opinião da direção do partido. Ela foi secretária estadual, candidata a deputada estadual, líder do PCdoB na Aleam e vice-presidente estadual no Amazonas. Onde existe falta de apoio do partido. Tinha boas chances entre os quatro pré-candidatos de ser a escolhida a candidata à prefeitura de Manaus”, afirmou Bezerra.

 

Por Augusto Costa

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