Cultura

Tritono Blues interpreta grandes hits de Ray Charles

O quarteto não fugiu da responsabilidade de interpretar nem mesmo grandes hits como “Georgia on my mind”, “Hit the road Jack” e “Unchain my heart” - foto: divulgação

O quarteto não fugiu da responsabilidade de interpretar nem mesmo grandes hits como “Georgia on my mind”, “Hit the road Jack” e “Unchain my heart” – foto: divulgação

Ray Charles (1930-2004) não é novidade no repertório da banda paulistana Tritono Blues. Três gravações do músico norte-americano foram incluídas em “Groovin’”, CD lançado em 2008 e reeditado cinco anos depois. Em 2016, os músicos decidiram ir além e dedicaram o seu terceiro álbum, por sugestão da gravadora Movieplay, inteiramente ao cantor e compositor célebre por clássicos como “Georgia on my mind”.

O vocalista Bruno Sant’Anna conta que, quando surgiu a ideia de produzir “Tritono Blues plays Ray Charles”, ele e os demais integrantes da banda decidiram abraçar a proposta porque consideraram uma oportunidade única. Ele lembra que foram pesquisadas 25 músicas de Ray Charles, e 14 foram escolhidas para compor o novo CD.

O quarteto não fugiu da responsabilidade de interpretar nem mesmo grandes hits como “Georgia on my mind”, “Hit the road Jack” e “Unchain my heart”. “Não é um álbum de covers, são versões que mantêm o respeito pela obra do Ray Charles”, observa Bruno, que também não buscou modificar de maneira significativa os vocais originais. “Ray Charles cantava tão bem! Eu tentei mudar os vocais o mínimo possível”.

Os músicos optaram ainda em não impor grandes alterações nos arranjos. “Tivemos que ser criativos. Ousamos de leve e esperamos ser bem interpretados”, diz Bruno. A música cujo arranjo passou por mudanças mais significativas e representou um desafio para o Tritono Blues foi “Unchain my heart”. “Muitos artistas já gravaram essa canção, mas sempre na esteira da interpretação do Ray. Nós optamos em fazer um arranjo com mais groove”, comenta o vocalista.

Rhythm and blues, jazz, soul, pop, gospel, rock e country estão entre os estilos musicais que temperaram o repertório de Ray Charles. A música começou a despertar a curiosidade do cantor e compositor norte-americano, que ficou cego aos sete anos de idade, por volta dos três anos de vida. Na escola estudou piano clássico, mas seu interesse pelo jazz e o blues que ouvia na rádio foi maior.

Nos anos 1950 chamou a atenção ao misturar rhythm and blues, gospel e blues. Na década seguinte, foi a vez de combinar pop e country. A sua coleção de hits inclui “I’ve got a woman”, “Mary Ann”, “I can’t stop loving you”, “Hallelujah I love her so”, “Busted” e, claro, “Georgia on my mind” – letra de Stuart Gorrell e música de Hoagy Carmichael –, composta para a irmã deste último e adotada como canção oficial do estado da Geórgia, em 1979.

Ray Charles morreu aos 73 anos, de doença hepática, em 10 de junho de 2004. Em setembro do mesmo ano, foi lançado o filme “Ray”, no qual o artista foi interpretado pelo ator Jamie Foxx, que conquistou um Oscar pela sua atuação.

Ao vivo

Desde janeiro deste ano a Tritono Blues toca em seus shows ao vivo músicas do novo álbum, mas o lançamento oficial do CD foi realizado em 1º de maio, no Sesc Belenzinho, em São Paulo. “Dois dias depois o álbum já estava disponível para download em plataformas virtuais”, lembra Bruno.

O cantor afirma que essas primeiras apresentações do novo trabalho foram “bem recebidas” pelo público, e o quarteto – formado Bruno Sant’Anna nos vocais, André Carlini na gaita, André Youssef (também integrante da banda de Nasi, do Ira!) no piano e Edu Malta no baixo – se torna um octeto para interpretar a obra de Ray Charles.

A banda Tritono Blues foi formada em 2007 e já gravou os CDs “Groovin’” e “Mojito do bom”. O terceiro disco inclui participações especiais como o saxofonista Denilson “Big D” Martins, o baterista Humberto Zigler e o guitarrista Igor Prado.

Bruno Sant’Anna explica que o grupo decidiu investir em jazz nesse terceiro trabalho por observar uma carência de opções para o público nesse segmento musical. “Nós percebemos essa carência, por exemplo, quando nos apresentamos em empresas e as pessoas ficam muito interessadas em conhecer o jazz”, destaca, e diz que a banda gosta de apresentar shows para o público dançar.

Por Luiz Otávio Martins

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