Dia a dia

Três líderes de movimento sem terra são presos em Parintins

Logo após a prisão do trio, famílias que estavam na área ocuparam a frente da delegacia pedindo a liberação de José Lauro, Kildson e Euzilene - foto: Tadeu de Souza

Logo após a prisão do trio, famílias que estavam na área ocuparam a frente da delegacia pedindo a liberação de José Lauro, Kildson e Euzilene – foto: Tadeu de Souza

A prisão de três pessoas apontadas como líderes de um movimento de ocupação de terras em Parintins (369 quilômetros de Manaus) provocou uma grande manifestação em frente à delegacia local de Polícia no bairro Itaúna 2, Zona Sul da cidade.  Lauro Pinheiro Teixeira, 39, Kildson Teixeira, 23 e Euzilene Souza, 29, foram presos às 13h.

Segundo a polícia, eles incentivaram as famílias que estavam ocupando uma área de terra de propriedade da prefeitura municipal, no bairro da União, Zona Sul da cidade, reintegrada pela Justiça no final de semana passado, a voltarem a ocupar a área ocasionando  crime de desobediência a uma sentença judicial.

Logo após a prisão do trio, famílias que estavam na área ocuparam a frente da delegacia pedindo a liberação de José Lauro, Kildson e Euzilene.

“Essas pessoas não têm culpa alguma. Nós temos uma comissão para nos entendermos com as autoridades. Estamos com essa dança de casas populares aqui em Parintins há mais de seis anos e nunca tivemos acesso às casas anunciadas com estardalhaço pelos prefeitos”, disse a senhora Ana Teixeira Santana, 56, que há oito anos vem tentando conseguir um terreno para construir a sua casa.

O delegado Bruno Fraga, titular da 3ª Delegacia de Polícia de Parintins, depois de ouvir os três acusados de liderar a ocupação, pediu a colaboração da Defensoria Pública do Estado para ajudar na questão.

A Defensora Pública, Carol Rocha Xavier, atendeu ao chamado do delegado e conversou com os três líderes detidos, repassando orientação jurídica sobre a situação dos mesmos.

“Nós chamamos a Defensoria para garantir o direito dessas pessoas foi lavrado um Termo Circunstancial de Ocorrência e será entregue à Justiça, a delegacia hoje atuou no sentido de acalmar os ânimos, investigar os fatos para saber quem está organizando esse esbulho e conseguimos o apoio da Defensoria Pública para que eles entendam que invadir terreno não é legal”, disse Bruno Fraga.

Por volta de 16 h, depois de ouvidos, os três foram liberados e se apresentam amanhã, 08,  ao juiz Fábio Olinto de Souza, titular da 1ª Vara da Comarca de Parintins.

Segundo a Secretaria de Assistência Social em Parintins o déficit de moradia atinge 16 mil famílias. No momento, uma outra invasão de terras está em andamento. Desta vez no bairro Pascoal Allágio, Zona Oeste da cidade.

Por Tadeu de Souza

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