Economia

Transporte fluvial do AM sofre com gargalos de crédito, infraestrutura e legislação

Sindarma considera que, apesar da importância na logística do transporte de pessoas e cargas a navegação regional não recebe os investimentos e as medidas necessárias – foto: divulgação

Sindarma considera que, apesar da importância na logística do transporte de passageiros e de cargas, a navegação regional não recebe os investimentos e as medidas necessárias para crescer – foto: divulgação

Infraestrutura portuária precária, ausência de linhas de crédito para o transporte hidroviário e falta de uma legislação que dê ordenamento à atividade foram os principais entraves levantados por lideranças do setor, durante a 2ª edição do Encontro da Indústria Naval.

O evento reuniu empresários, entidades sindicais e órgãos ligados ao segmento, nesta quinta-feira (21), na unidade do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), localizada no Distrito Industrial, Zona Sul da capital.

Sondagem realizada pelo Sindicato das Empresas de Navegação Fluvial no Estado do Amazonas (Sindarma) informa que, com 1,5 milhão de passageiros por ano e oferta de 200 embarcações com capacidade de até 700 pessoas, o transporte fluvial concentra a maior parte da condução de cargas e passageiros dentre os modais em todo o Amazonas.

O setor transporta cargas granéis líquidas (derivados de petróleo), granéis sólidos (grãos), carga geral, carretas/contêiner e passageiros. Dispõe de 90 mil carretas/contêiner ao ano, transportadas por uma frota de 120 balsas, com capacidade de levar 1 milhão de toneladas em cargas por ano.

Para o tesoureiro do Sindarma e sócio-proprietário da empresa de navegação Trevo da Amazônia, Homero Santos, mesmo com a importância na logística do transporte de pessoas e cargas a navegação na região não vem recebendo investimentos e as medidas necessárias.

“Sem uma indústria naval forte, não há como se falar em navegação na Amazônia. Sabemos que 90% da carga e produtos escoados da capital para o interior ou que vem de outros locais para o Amazonas é através do modal fluvial. O passageiro é o bem mais preciso que transportamos porque as embarcações levam vidas. O Sindarma tem acompanhado de perto os problemas que afetam o transporte de passageiros”, comentou Homero.

Uma das fragilidades enfrentadas pelo transporte hidroviário no Amazonas é falta de legislação que promova o ordenamento do setor. A precária oferta de infraestrutura portuária em Manaus para atender o transporte de cargas e passageiros, além da inviabilidade da maioria dos portos construídos no interior do estado, contribuem ainda para insegurança e ineficiência do transporte fluvial.

“É preocupante porque nós não temos ainda uma legislação definida e pertinente para esse modal. A inexistência de uma legislação que discipline e ordene o transporte hidroviário no Amazonas, impede o pleno desenvolvimento da atividade”, avaliou Homero Santos.

“Pai para filho”

Outro entrave do segmento consiste na ausência de linhas de crédito específicas para o setor e que atendas as necessidades das empresas locais inviabiliza o crescimento do transporte fluvial.

“As pessoas que atuam no transporte de passageiros com os barcos de recreio são pessoas humildes do interior. A maioria tem passado de pai para filho as embarcações até a terceira geração. Geralmente essas pessoas não tem empresa organizada e é difícil para eles se adequarem. Esperamos contar com olhares das autoridades e dos órgãos de financiamento para que possa investir, alavancando um meio de transporte melhor na nossa Amazônia”, enfatizou o representante do Sindarma.

Promovido pelo Sindicato da Indústria da Construção Naval, Náutica, Offshore e Reparos do Amazonas (Sindnaval), o encontro teve como temas debatidos: financiamento para empresas de navegação, estaleiros e cadeia produtiva do setor naval amazonense; o papel do Estado no planejamento e desenvolvimento da indústria naval no Amazonas; e cenários e as perspectivas envolvendo o transporte hidroviário e construção naval na Amazônia.

Participaram ainda do evento o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), a Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), a Secretaria de Estado de Planejamento, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Seplancti), agentes financeiros e Marinha.

Com informações da assessoria

Comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Subir