Dia a dia

Transferência de presos dá início a desativação da Vidal Pessoa

Os internos foram transferidos para a Unidade Prisional do Puraquequara - foto: Danilo Alves/TV EM TEMPO

Os internos foram transferidos para a Unidade Prisional do Puraquequara – fotos: Danilo Alves/TV EM TEMPO

A Cadeia Pública Desembargador Raimundo Vidal Pessoa, avenida Sete de Setembro, Centro, começou a ser desativada na manhã desta terça-feira (11), com a transferência dos 167 que cumpriam pena. Os internos agora passarão a cumprir pena na Unidade Prisional do Puraquequara, Zona Leste. A desativação total da unidade deve ser concluída até o dia 24 de outubro.

A transferência começou por volta de 6h. Os internos foram levados em um ônibus da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap). Parentes dos presos realizaram uma movimentação na frente da cadeia.

De acordo com titular da Seap, Pedro Florêncio, a fuga dos 11 presos na noite do último domingo acelerou os trabalhos de transferência.

“Nós tínhamos o mês de outubro como previsão para finalizar os trabalhos na cadeia, mas não demos uma data exata para a transferência, pois iria causar tumulto. Isso é uma operação que precisa de sigilo, a fuga de domingo também acelerou esse processo. Nós tínhamos informações do nosso departamento de inteligência de que os presos iriam tentar outra fuga justamente para serem transferidos para a unidade do Puraquequara” disse o Pedro Florêncio.

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Ainda conforme o secretário, a partir de hoje até o dia 24 a unidade ainda estará recebendo os presos que a polícia encaminha diariamente, entretanto, após o dia 24 todas as pessoas que derem entrada no sistema prisional da cidade serão encaminhadas para o Centro de Detenção Provisório Masculino (CDPM), no quilômetro 8 da BR-174.

“Teremos uma estrutura pronta no CDPM, que se chamará de Centro de Recebimento e Triagem que irá receber todas as pessoas que entrarem no sistema prisional da cidade. Hoje ela ainda não está pronta, mas a partir dia 24 já teremos essa estrutura pronta para receber esses presos” falou o secretário.

Pedro Florêncio ainda informou que a superlotação das unidades prisionais da capital é uma realidade, uma vez que todos os dias ao menos 20 pessoas dão entrada nos presídios da cidade e somente quatro saem.

Ele disse ainda que dentre os principais motivos para desativação da Vidal Pessoa estão as más as condições do prédio, que impedem a ressocialização dos presos.
“O principal motivo para encerrar as atividades da cadeia pública é que ela não tem uma estrutura que permita que as pessoas fiquem encarceradas ali. É um ambiente absolutamente inóspito, é pior que uma masmorra. É um presídio muito antigo e com sérios problemas estruturas” concluiu Florêncio.

A desativação da cadeia pública já havia sido adiada duas vezes. Em 2010, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) visitou o presídio e recomendou a desativação da unidade. Em 2014, uma nova vistoria foi feita no local e o CNJ indicou o fechamento da cadeia até dezembro do mesmo ano, mas a unidade continuou a receber detentos.

Para o secretário, a cadeia pública já cumpriu o seu papel na história como sistema prisional e agora, com mais de 100 anos de existência, não tem condições ao menos de ser reformado para continuar a receber presos. Após ser fechado o prédio será entregue para Secretaria de Estado de Cultura (SEC).

Portal EM TEMPO

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