Cultura

Trama em quadrinhos também é hobby feminino

Fernanda Brandão gosta de narrativas que despertem reflexões – Márcio Melo

Geralmente associado ao público masculino, o gosto pelos quadrinhos, que explora bastante o contexto dos super-heróis, também é um hobbie acessível à sensibilidade feminina. Para além dos clássicos gibis e de seus protagonistas com superpoderes, elas buscam profundidade e dilemas interessantes nas histórias que leem. Algumas se envolveram de tal forma nesse universo que o levaram para a vida profissional, tornando-se produtoras desse tipo de conteúdo.

É o caso da ilustradora e produtora cultural Sarah Farias, 25. Ela se dedica à criação de quadrinhos para o site 99 Balões (99baloes.art.br) e já possui cinco títulos publicados em versão digital. O interesse pela ilustração nasceu na infância, época em que costumava ler gibis da Turma da Mônica e de personagens da Disney, como Mickey Mouse e Pato Donald.

“É uma linguagem mista, que utiliza imagem e texto. Assemelha-se com o cinema por causa da questão visual e ainda se aproxima da literatura porque abre espaço para a imaginação, já que ficam alguns vazios que o leitor acaba tendo que preencher. O que me atrai, então, hoje, nos quadrinhos, é o que eles podem me proporcionar como ferramenta de comunicação artística”, explica.

Sarah ressalta que, apesar de colecionar quadrinhos de heróis, não é grande admiradora do formato, o qual, segundo ela, se tornou “enlatado”. “A maioria desses enredos é repetido à exaustão. Mas quando surge algo inovador, eu aprecio bastante, como é o caso da nova Miss Marvel”, opina.

Cofundadora do blog Mapingua Nerd (mapinguanerd.com.br), a publicitária Fernanda Brandão, 29, afirma ter preferência por narrativas que despertem reflexões e fascínio pela liberdade criativa que os autores possuem. “Tudo só depende da criatividade deles. E a representação visual da narração, a expressão do personagem e a união de texto e ilustração permitem uma experiência única, completamente diferente de um livro, por exemplo”, comenta.

No mundo dos super-heróis, Fernanda tem particular admiração pela Mulher Maravilha. “Ela é uma representante feminina num universo excessivamente sexista. O livro ‘A história secreta da Mulher Maravilha’, escrito pela historiadora Jill Lepore, conta que a personagem foi criada por influência do movimento sufragista e feminista nos EUA, na década de 1940. Não preciso de mais nenhuma outra heroína para me inspirar”, destaca.

A designer Daniely Nakazaki, 26, e a dona de casa Caroline Dias, 22, compartilham da mesma fixação por mangás, os quadrinhos japoneses. Ambas foram influenciadas por uma amiga em comum, que acabou espalhando esse hábito em forma de corrente. “Comecei a ler mangá por causa da Dani. Gosto bastante das histórias, principalmente das ambientadas no colegial, como Fruits Basket”, conta Caroline.

Daniely, por sua vez, acompanha tanto o mangá como o anime (animação) da saga Naruto, sucesso mundial. A ligação com a cultura japonesa implicou, inclusive, em mudanças para a vida pessoal da designer, que é casada com um descendente de japoneses. “O diferencial dos mangás está na qualidade das histórias. Eu sempre me identifico bastante com os que leio e também sou apaixonada pelos personagens!”, diz.

Kássio Nunes

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