Dia a dia

Tráfico humano é tema de campanha no Amazonas

 Ato simbólico foi realizado no aeroporto Eduardo Gomes, com a exposição de uma caixa temática – foto: Márcio Melo


Ato simbólico foi realizado no aeroporto Eduardo Gomes, com a exposição de uma caixa temática – foto: Márcio Melo

Com o objetivo de conscientizar e promover um debate público sobre o enfrentamento e o combate ao tráfico de pessoas, a Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc) e outros órgãos públicos ficarão azuis e realizarão atividades em alusão à data, até este sábado (30), além de uma série de atividades, dentro da campanha estadual de enfrentamento ao tráfico de pessoas ‘Coração Azul’.

Na tarde de ontem (28), um ato simbólico foi realizado no aeroporto internacional Eduardo Gomes, no Tarumã, Zona Oeste, com a exposição de uma caixa temática sobre o tráfico humano e a distribuição de folders informativos. A abertura da campanha teve início pela manhã, na sede da Sejusc, no conjunto Celetramazon, bairro Adrianópolis, Zona Centro-Sul.

A ação conta com o apoio do Comitê Estadual de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, Secretaria de Estado de Educação e Qualidade do Ensino (Seduc), Secretaria Municipal de Educação (Semed), Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) e Grito pela Vida.

Conforme a secretária executiva de Políticas para a Mulher da Sejusc, Keyth Bentes, o aeroporto foi escolhido por ser um dos principais meios utilizados pelo crime organizado do tráfico internacional de pessoas. A ideia também é informar os passageiros sobre o crime, para que eles reflitam que o tráfico de pessoas pode estar acontecendo com uma pessoa próxima.

“O governo do Estado está lançando essa campanha, que é estadual, de enfrentamento ao tráfico de pessoas, no entendimento de que esta é uma temática pouco debatida, mas que é um crime que existe. Infelizmente, nosso Estado é rota de tráfico para situações de tráfico de pessoas, seja ela para o evento de trabalho escravo, seja para a exploração sexual, seja para o tráfico de órgão. Infelizmente, o Amazonas aparece como rota de tráfico para o Suriname, Venezuela, Suíça, entre outros países, e nós precisamos orientar a população para que esse tipo de ocorrência seja denunciada”, destacou.

Keyth explicou que a programação, ao longo da semana, é focada não para as pessoas que trabalham com a temática como os parceiros do Núcleo de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, mas também para a comunidade em geral. Segundo ela, as denúncias podem ser realizadas por meio dos números disque 180 ou 100.

“O objetivo da programação é dialogarmos sobre como acontece a violência, os canais de denúncia para a população e, principalmente, na discussão nas escolas. Faremos uma programação intensa nas escolas municipais e estadual porque a faixa etária das pessoas envolvidas com esse crime tem a ver também com pessoas jovens”, comentou.

Crime invisível
A coordenadora nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas do Ministério da Justiça, Renata Braz, destacou que um dos grandes desafios é levar o conhecimento desse crime à sociedade, visto que ele não tem uma materialidade como outros crimes, como, por exemplo, o tráfico de drogas que se visualiza. Segundo ela, o tráfego de pessoas são situações e é multifacetário.

“O crime acontece desde o aliciamento ao transporte dessa pessoa até mesmo à exploração que, muitas vezes, é sexual. Mas, nem sempre é exclusivamente exploração sexual. Nós estamos falando de pessoas traficadas também para realizar trabalhos forçados, em situação análoga à escravidão, ao tráfico, infelizmente, de órgãos e tecidos. A gente tem um grande desafio e acreditamos que um dos canais para superar esse desafio e chegar ao conhecimento da população é por meio de campanhas e mobilização”, salientou.

Segundo dados do Ministério da Justiça e Cidadania (MJC), o Brasil é um país tanto de origem quanto de travessia e destinação final de pessoas traficadas. Ainda assim não existe uma lei específica para punir essa prática criminosa.

Por Michelle Freitas

 

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