Esportes

Tradição feminina há duas décadas no futsal

Dona Helena já viu muitas garotas iniciarem as atividades em sua tradicional pelada e hoje atuar por equipes profissionais – Marcio Melo

Já faz muito tempo que o futebol de salão e de campo não se restringe somente aos homens. É o que garante a aposentada e ex-comerciante Helena Maia de Araújo, 62, que há 20 anos é responsável por organizar uma pelada de futsal com 35 mulheres, com idade entre 14 e 62 anos. Ao longo desse período, a sexagenária jogou com as filhas e agora brinca com as netas. A partida é disputada duas vezes por semana, durante o período noturno na quadra do Núcleo 3, da Cidade Nova 2, Zona Norte de Manaus.

“Aqui se faz o bem para a saúde e se mantém a diversão das pessoas. Existem poucas oportunidades de lazer nessas adjacências. A nossa pelada anima este pedaço da Cidade Nova. As pessoas me agradecem por eu conseguir reunir há 20 anos esse pessoal para jogar bola. Já vieram mães me agradecer por suas filhas não estarem na rua, e sim jogando bola. Os pais gostam de mim e ficam contentes por eu manter essa espécie de projeto social”, explica Helena.

Sobre os motivos que fazem a sexagenária continuar organizando as peladas dentro de quadra, o principal deles ela garante ser o reconhecimento divino, além do sorriso visto no rosto de quem participa.

“Gera muita amizade, não é somente um encontro, às vezes tem uma delas doente ou passando necessidade financeira. Fazemos visita na casa de quem está muito tempo ausente, se algumas delas se acidentar, vamos atrás ver se está precisando de ajuda. Uma atleta quebrou a perna jogando um campeonato e demos assistência com ajuda médica e mantimentos”, exemplifica a aposentada.

A ex-comerciante é responsável por organizar jogos apenas entre mulheres há 20 anos. – Marcio Melo

Saúde

Dona Helena não apenas organiza, como ainda joga futsal com a sua turma. Ela conta que não sabe quando irá pendurar a chuteira e faz questão de destacar o seu papel dentro de quadra. “Sou melhor lá atrás. Mas, esporadicamente, gosto de marcar meus gols. Jogo desde os meus 13 anos e não sei quando vou parar”, diz a ex-comerciante, que há 2 anos sofreu um acidente vascular cerebral.

“No começo, minha família ficou bastante preocupada, mas depois de 15 dias voltei a jogar. Sempre venho fazendo exames para controlar o índice de glicerídeo e de colesterol. De seis em seis meses, faço exames e check-up para avaliar o meu cardíaco. Para eu poder competir com as mais novas, é necessário estar com a saúde em dia, pois não pretendo largar o futebol agora. Considero-me uma pessoa saudável, pois nem na menopausa eu cheguei ainda”, declara Helena.

Cheia de gás e disposta a manter a tradicional pelada, ela reforça o convite para as demais mulheres que têm vontade de jogar futebol, mas que ainda não encontraram sua turma. “Que as pessoas participem. Às vezes, se acham velhas, porque têm 40 anos ou 50, mas o futebol é para isso, não é preciso ter vergonha de jogar bola. Venham para cá, nossa turma está aqui para somar amizades a você. Futebol é para todos, futebol é o melhor esporte”, intima a aposentada.

João Paulo Oliveira
EM TEMPO

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