Cultura

Tradição dos castrati é tema de Concerto do XX Festival Amazonas de Ópera, nesta sexta

Bruno é dono de um registro vocal único, equivalente ao da voz de soprano – Divulgação

Natural de Santo André, interior de São Paulo, Bruno de Sá é a voz que vai embalar o público no Concerto Bradesco 4 – “O Triunfo da Voz ou A Extravagância da Arte”. Na sexta-feira (19), a partir das 20h, a apresentação acontece no Teatro Amazonas, sob chancela da Orquestra de Câmara do Amazonas (OCA), regida pelo maestro Marcelo de Jesus.

Dedicado a Carlo Maria M. N. Broschi (1705-1782), mais conhecido pelo nome Farinelli, o musical é um resgate à tradição dos cantores castrati – palavra italiana, que em português significa “castrados”. A história desses artistas vem do século 15 quando, na Europa, era prática entre líderes de igrejas e regentes de corais castrar os jovens cantores, geralmente aos 12 anos, com o intuito de criar um registro vocal único, similar ao de uma cantora soprano, já que, até meados de 1800, as mulheres eram proibidas de fazer shows e cantar em coros.

Registro único

Protagonista do Concerto Bradesco 4, Bruno de Sá, de 27 anos, nunca se apresentou no Festival Amazonas de Ópera, mas já se exibiu outras vezes na capital amazonense, como no concerto “Bel Canto”, em 2016, ao lado da orquestra Amazonas Filarmônica. Ele é um dos bolsistas selecionados pela Academia Canto, em Trancoso (BA), oportunidade que lhe permitiu fazer um intercâmbio na Alemanha, em março deste ano.

“O canto sempre foi um hobby”, disse Bruno de Sá. “Já toquei outros instrumentos, mas somente quando vi que minha voz tinha uma peculiaridade foi que resolvi investir nos estudos”, contou.

 

Instrumentos de época

Outros dois músicos fazem parte da apresentação especial, e foram convidados exclusivamente pelo maestro Marcelo de Jesus para acompanhar a Orquestra de Câmara do Amazonas. Átila de Paula, no cravo, e Anderson de Lima, na teorba e na guitarra barroca, executam a parte do baixo contínuo, que preenche a harmonia musical da noite.

Diferente da música clássica moderna, Átila ressalta a importância desses instrumentos no Concerto Bradesco 4. “A dinâmica também é diferente para nós, porque a música barroca exige outros arranjos, totalmente típicos e que remetem àquele tempo que foi escrito. São duas eras diferentes, conversando”, disse o cravista da Orquestra Barroca da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio).

Fim dos castrati

A tradição dos castrati só começou a perder força no final do século XVIII, mas teve uma queda muito lenta. Os cantores ainda se executavam em igrejas, mas já não eram bem vistos em óperas ou clubes populares. O último cantor castrato da Capela Sistina foi Alessandro Moreschi, que se aposentou em 1913. Em seu auge, era conhecido como o “Anjo de Roma”.

No período em que os castrati estiveram em voga, muitos pais enganavam os próprios filhos, alegando problemas de saúde para a realização da cirurgia de castração, visto que a Igreja também proibia a amputação de órgãos, exceto para salvar vidas. Vários problemas surgiam decorrentes da forma como as operações eram realizadas, que dependiam da competência do cirurgião, das peculiaridades do corpo humano e ainda dos meios anestésicos.

Com informações da assessoria

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