Economia

Trabalhadores vão às ruas cobrar emprego e moradia, em Manaus

A manifestação reuniu mais de 100 pessoas, sob o monumento da ponte sobre o rio Negro, na avenida Brasil, bairro Compensa, Zona Oeste - foto: Ione Moreno

A manifestação reuniu mais de 100 pessoas, sob o monumento da ponte sobre o rio Negro, na avenida Brasil, bairro Compensa, Zona Oeste – foto: Ione Moreno

“Nesses últimos 20 anos, eu não vi época pior do que essa agora. Não vejo mais as pessoas circulando nas ruas e comprando, principalmente. O povo não tem dinheiro”. O depoimento é da vendedora ambulante Josete Ferreira Lago, 36, que neste domingo (1°), no Dia do Trabalhador, se juntou a manifestação organizada pelo Movimento Luta Popular (MLP), que reuniu mais de 100 pessoas, sob o monumento da ponte sobre o rio Negro, na avenida Brasil, bairro Compensa, Zona Oeste, para chamar atenção sobre as dificuldades pelas quais passam por conta do desemprego.

Vendedora de ovos de codorna, bombom, amendoim, Josete disse que o trabalhador não tem o que comemorar. “Sou mãe solteira de duas meninas, e antigamente eu mantinha as duas ganhando mais de um salário trabalhando na rua. Hoje em dia não chega a isso. O meu lucro desse final de semana não chegou a R$ 50, por causa das dificuldades. O movimento caiu muito – está menos do que a metade do que é normalmente – e está muito difícil viver. É a crise, e toda essa roubalheira desse povo que meteu a gente nessa crise”, criticou.

As adversidades enfrentadas pelas famílias estavam na pauta dos líderes do movimento, num ano que nenhuma central sindical ou qualquer outra entidade com foco no trabalhador teve a coragem de realizar festas, com sorteios pomposos, como tradicionalmente se via nos últimos anos. “A maior dificuldade é a cesta básica e colocar comida na mesa para as minhas filhas. Elas estudam longe. Moro no Nova Vitória e elas estudam no Zumbi (ambos na Zona Leste). Elas estão indo e vindo a pé, porque na maioria das vezes não tenho dinheiro da passagem, porque, ou eu compro comida ou dou a passagem para a escola”, contou.

De acordo com o coordenador nacional do Movimento Luta Popular (MLP), Júlio César Ferraz, o objetivo da manifestação é chamar a atenção da Prefeitura de Manaus, para que cumpra um acordo firmado com o movimento. “São 11 milhões de brasileiros desempregados, então estamos sentindo na pele essa dificuldade. Muita gente que está aqui mora de aluguel, e todos estão inscritos na Suhab para obter uma moradia. Outra parte está dependendo da prefeitura. Por isso, fizemos um acordo com ela e estamos até agora tentando uma audiência, e o pessoal disse que iria conversar com a primeira-dama Goreth Garcia, mas até agora nada”, reclamou.

Ferraz disse que o movimento tentou o diálogo, mas a situação está piorando a cada dia, pois o desemprego gera a inadimplência e, por consequência, muitas famílias vão parar na rua. Segundo ele, o movimento definiu um acampamento, mas não divulgou nem data e nem local que começarão, a fim de pressionar a conversa para cobrar o cumprimento do acordo.

“Queríamos dialogar da melhor maneira possível. Agora estamos esperando. Uma parte está inscrito no programa da Suhab, e a outra na prefeitura. A Suhab assinou o contrato e a prefeitura não. Então está bom. Temos um acordo por escrito com o prefeito. Queríamos saber como está a situação dessas 420 famílias. Muitas já foram despejadas, e essas nós estamos agasalhando, dando um jeito. Abrigo uma família na minha casa”, disse o líder do movimento.

Por Mellanie Hasimoto

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