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Terremoto no Nepal provoca êxodo de moradores das cidades para vilarejos

Na região histórica de Patan, Kalpana Shrestha, 52, observa soldados retirando escombros de templos caídos. Apoiada na porta de seu restaurante, pede desculpas aos poucos turistas, que não pode servir.

Seus funcionários não vieram trabalhar -os nove saíram da capital e voltaram a seus vilarejos. Assim como Shrestha, a maior parte dos comerciantes nessa área turística não abriu suas lojas, pela falta de mão de obra.

Há um intenso êxodo para fora de Katmandu e dos entornos, desde o terremoto de sábado (25), que matou ao menos 6.000 pessoas no país.

Com o colapso das estruturas, na cidade, e o temor de falta de comida, milhares deixaram a capital rumo ao interior. “Em uma ou duas semanas vou poder abrir de novo”, afirma Shrestha. “Agora, vou perder dinheiro.”

A estimativa oficial é de que até 300 mil pessoas podem deixar a região em torno de Katmandu durante esses dias. O vale onde está a capital tem em torno de 3 milhões de habitantes.
Ônibus

Na estação de ônibus de Katmandu, a reportagem encontrou moradores disputando os poucos ônibus gratuitos disponibilizados pelo governo para o transporte aos vilarejos.

Gita Sharma, 41, esperava há três horas por sua chance. “Temos medo de que apareçam doenças aqui. É melhor sair do que ficar.”

Sagar Bhandari, que esperava um ônibus para o distrito de Parbat, afirmava que sua viagem era motivada pelo medo de não ter água ou comida o suficiente, na capital.

Para garantir o trajeto, ele tentava comprar uma passagem em um ônibus pago -mas o preço já havia subido de R$ 20 para R$ 30.

“Muitas lojas estão fechadas, e os donos dos mercados de comida não abriram porque voltaram para os seus povoados. O governo precisa, agora, garantir um novo lar para as pessoas”.

Sushila Bantha, 42, saía de Katmandu por medo de continuar em sua casa, rachada ao meio. Ela voltava ao vilarejo de Nepalgunj, a 16 horas de viagem. Mas ela ainda não sabia se conseguiria um bilhete para o trajeto.

A alguns metros dali, Tulsi Puri, 29, esperava um ônibus desde o dia anterior. “Não temos ninguém a quem reclamar. Não há nenhum funcionário do governo aqui.”

Por Folhapress

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