Dia a dia

Terceirizados da UPA Campos Sales param atividades para reivindicar pagamento e direitos trabalhistas

O protesto visa reivindicar os direitos trabalhistas de funcionários ligados ao Instituto Novos Caminhos, investigado pela PF - foto: Márcio Melo

O protesto visa reivindicar os direitos trabalhistas de funcionários ligados ao Instituto Novos Caminhos, investigado pela PF – foto: Márcio Melo

Aproximadamente cem servidores terceirizados e concursados da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Campos Sales, no Tarumã, Zona Oeste, paralisaram 95% dos atendimentos na manhã desta segunda-feira (26).

O protesto visa reivindicar os direitos trabalhistas de funcionários ligados ao Instituto Novos Caminhos (INC), investigado pela Polícia Federal (PF) na operação ‘Maus Caminhos’, deflagrada no último dia 20.

A ação conta, ainda, com o apoio de servidores da UPA, que mesmo não pertencendo ao grupo de terceirizados, decidiram ser solidários à causa e aderir a paralisação, pois temem a falta de serviços no local. De acordo com Caren Marques, 34, ex-funcionária da unidade, o protesto foi a melhor forma encontrada pelos trabalhadores que estão há três meses sem receber salário, vale transporte e Ticket Alimentação.

“Estamos cobrando um direito que é nosso por Lei, pois trabalhamos todo esse tempo sem receber. Agora, com essa investigação, ninguém sabe informar ao menos uma previsão para o pagamento”, Marques. Ainda de acordo com ela, a manifestação conta com o apoio da esfera municipal. “Sabendo da importância da nossa luta, a Prefeitura Municipal está apoiando com carro de som durante toda a manifestação”, revelou.

Para Paulo Souza, 48, gerente administrativo e financeiro do Centro de Reabilitação em Dependência Química Ismael Abdel Aziz, localizado no quilometro 53 da Rodovia AM-10, a manifestação é uma forma de chamar atenção das autoridades, tanto trabalhistas quanto do governo, para que possam adotar medidas que beneficiem os trabalhadores.
“Fomos informados que todos os documentos de rescisões contratuais já estão impressos, mas ainda falta uma decisão do governo. Esse atraso no pagamento gera diversos transtornos em mais de três mil famílias”, declarou Souza.

Ainda de acordo com o gerente, após a interdição do INC, feita pela PF, a diretoria do órgão informa que não tem condições de realizar o pagamento dos servidores. “O maior desejo de todos é que o governo assuma essa dívida e pague todos os direitos trabalhistas, afinal os serviços, mesmo que terceirizados, foram prestados ao governo, órgão que contratou as empresas terceirizadas, na qual prestávamos serviço”, frisou Paulo Souza.

Presente à manifestação, a dona de casa Carmen Maria, procurou a unidade hospitalar para retorno médico do filho dela, Kaio Pessoa, 12, que no último domingo (25), sofreu uma fratura no pé. “Estive ontem na UPA, o médico atendeu meu filho e, por causa de ferimentos na fratura, apenas medicou ele e pediu que retornássemos hoje. Agora somos impedidos de entrar por causa da paralisação e meu filho é estudante, precisa de atestado médico. Vou ter que procurar outra unidade de saúde, que possa realizar os cuidados médicos”, enfatizou Maria.

Em nota, a Secretária de Estado de Saúde do Amazonas (Susam) informou por meio de nota que está cumprindo decisão judicial através da qual ficou determinado que o governo do Estado não faça mais nenhum repasse de recursos públicos para a organização social que administrava as unidades de saúde envolvidas na operação. Os funcionários que atuam nessas unidades eram contratados pela organização social ou de empresas contratadas pela mesma, não possuindo vínculo empregatício com a Susam.

O órgão informa que está buscando mecanismos legais, junto à Procuradoria Geral do Estado (PGE) para solucionar as questões relativas aos pagamentos desses funcionários e ressalta que o atendimento da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Campos Sales está normal, sem nenhum prejuízo para os usuários

Maus Caminhos
Na semana passada, a Polícia Federal, em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU) e Receita Federal, deflagrou a operação Maus Caminhos, cujo objetivo é desarticular uma organização criminosa especializada no desvio de recursos públicos do Fundo Estadual de Saúde do Amazonas. As investigações revelam que ao menos R$ 112 milhões foram desviados da saúde pública amazonense.

Por Isac Sharlon

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