Economia

Terceirização deverá reduzir custos no PIM

 

Fábricas do parque industrial de Manaus deverão se beneficiar com as novas regras da terceirização no país – Márcio Melo

A terceirização da mão de obra poderá resultar na modernização das relações trabalhistas e na qualificação dos funcionários. As fábricas instaladas no Polo Industrial de Manaus (PIM) deverão registrar avanços com a nova regra, na avaliação de especialistas no Amazonas.

Para o especialista em Recursos Humanos, André Almeida, a terceirização não resultará em perdas dos direitos dos trabalhadores.

Segundo ele, com a nova regra, haverá avanços, pois o mercado de trabalho ficará mais competitivo, uma vez que o trabalhador terceirizado que não for qualificado ou não corresponder ao perfil da empresa, poderá ser substituído sem que haja custo para a empresa tomadora da mão de obra terceirizada.

Na opinião do especialista, a alegação de que a responsabilidade é subsidiária não é motivo para preocupações. “Em caso de infração trabalhista, o trabalhador poderá chamar a empresa tomadora da mão de obra para o polo passivo da ação, sendo certo que esta somente responderá com seus bens para o cumprimento das obrigações trabalhistas após exaurido das tentativas de adentrar nos bens da empresa prestadora da mão de obra terceirizada”, salientou.

Sancionada pelo presidente Michel Temer, no mês passado, a lei da terceirização permitirá a todas as empresas terceirizar sua atividade final, ou seja, poderão ser terceirizadas as tarefas de produção de bens e serviços inerentes às atividades econômicas da empresa. “Uma indústria instalada no PIM, montadora de eletroeletrônicos, polo duas rodas ou qualquer outra atividade poderá gerir toda a sua mão de obra por meio de contatos terceirizados, evitando assim, o vínculo empregatício com pessoas que estejam prestando tais serviços”, afirmou Almeida. “Trata-se de modernidade e mudanças de paradigmas que resultarão em redução de custos e empresas mais competitivas”, acrescentou.

Por outro lado, o economista da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Gilmar Freitas, afirmou que ainda é cedo para dizer quais serão os benefícios da terceirização. “Só o tempo vai dizer se haverá algum tipo de benefício. O que se pode dizer é que haverá prós e contras, pois haverá mais competitividade e, como consequência, qualidade do produto”, explicou.

Conforme Freitas, as empresas poderão se dedicar mais à sua atividade principal. “Dessa maneira, as empresas vão gerar economia de escala, o que vai influenciar no preço final do produto e também na qualidade. Haverá muito ganho na parte empresarial e também há muitas chances de se incrementar a geração de empregos”, destacou o especialista.

Por outro lado, segundo o economista, o trabalhador ainda se sente prejudicado com a terceirização. “As empresas vão requerer mais especialização por parte do seu quadro funcional, o que pode levar a uma redução salarial em alguns casos”, enfatizou o economista da Fieam.

Oposição

Enquanto alguns defendem a terceirização, entidades que representam os trabalhadores afirmam que as novas regras vão precarizar as relações no mercado de trabalho em detrimento dos funcionários das empresas. Até mesmo membros da Justiça do Trabalho veem a terceirização como uma prática prejudicial ao trabalhador.

Alyne Araújo
EM Tempo

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