Saúde e Bem Estar

Terapia com botos ajuda tratamento de crianças

Técnica criada pelo fisioterapeuta Igor Simões, a bototerapia melhora a capacidade de concentração e interação dos pacientes – Divulgação

A integração com a natureza e com os animais pode não ser um método cientificamente comprovado de cura, mas atinge resultados benéficos sob o ponto de vista terapêutico e auxilia no tratamento de doenças físicas e psicológicas.

O fisioterapeuta mineiro Igor Simões Andrade é o autor do projeto de bototerapia ecológica no Brasil, um método filantrópico e zooterapêutico iniciado em 2005. Durante um ano inteiro, com exceção do período de seca, são pelo menos oito meses dedicados a viagens feitas uma vez a cada mês, levando crianças e suas famílias a bordo de um barco fretado especialmente para a ocasião.

“Durante os 12 anos de existência do projeto, algumas centenas de pessoas já foram beneficiadas, entre elas, crianças de instituições como a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), a Fundação Hospitalar de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas (Hemoam) e a Fundação de Apoio as Instituições de Proteção à Pessoa Portadora de Deficiência (Fada)”, informou o Andrade.

A atividade é realizada na Praia Amigos do Boto, na Vila São Thomé, no interior do município de Iranduba, na entrada do arquipélago de Anavilhanas, distante 20 quilômetros de Manaus, de barco. As despesas com transporte e alimentação são provenientes de doações e da ajuda dos pacientes do consultório particular do fisioterapeuta, uma vez que os pais não têm condições financeiras de manter esse tipo de tratamento, pois o trabalho é realizado somente com a população menos favorecida.

A bototerapia usa a técnica de rolfing, um processo terapêutico manual de alinhamento postural e de movimentos para reforçar o equilíbrio corporal e ajudar na eliminação de tensões musculares. A atividade beneficia cinco famílias, por meio de parceria com a Associação Amigos do Peixe-boi (Ampa), que cede a estrutura do local para a realização das atividades. O trabalho é feito individualmente com cada família. São aproximadamente 20 minutos na água com a criança fazendo exercícios e brincando com os botos.

Andrade conta que ficou pelo menos nove meses nadando com os botos e entendendo a dinâmica deles na água para depois começar o projeto. Antes de levar os pacientes até os botos, ele costuma entrar sozinho no rio para sentir como estão os mamíferos e só depois convida as crianças a irem até o rio.

A motivação para esse trabalho advém do amor pelos animais. “Antes de fisioterapia, eu estudava veterinária. Então, sempre tive esse amor pela natureza e pelos animais. Ficava imaginando terapias além da equoterapia (método que utiliza cavalos), e quis desenvolver esse trabalho”, conta.

O método terapêutico e social criado por Andrade já foi aplicado para auxiliar no tratamento de crianças com autismo, doenças motoras, síndrome de down. Quanto aos benefícios da terapia, o profissional ressalta a capacidade de concentração e interação das crianças, após alguns minutos com os botos na água. “As crianças com autismo, por exemplo, mesmo com medo e respeito, querem chegar perto. O animal é um elo, faz com que se conectem com a natureza. Dessa forma nós conseguimos captar a atenção da criança muito mais do que elas estivessem em um consultório comigo todo vestido de branco”, explica.

Igor Andrade ressalta que a técnica de rolfing usada na bototerapia é apenas complementar aos tratamentos tradicionais e não substituia fisioterapia.

Autorização

De acordo com a analista ambiental do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Natália Lima, o fisioterapeuta Igor Andrade recebeu do órgão uma autorização temporária no ano de 2009 para realizar a bototerapia, mas ainda aguarda decisão do Ministério do Meio Ambiente, já que na atividade há o envolvimento de animais.

Laize Minelli
EM TEMPO

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