Política

Teori indica aval a depoimentos de delatores de Cunha ao conselho

Relator da Lava Jato no STF (Supremo Tribunal Federal), o ministro Teori Zavascki se reuniu nesta quarta-feira (6) com integrantes do Conselho de Ética da Câmara para discutir o compartilhamento de provas e depoimentos de delatores do esquema de corrupção da Petrobras no processo de cassação do presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Segundo o presidente do conselho, José Carlos Araujo (PR-BA), e o relator do caso, deputado Marcos Rogério (DEM-RO), o ministro indicou que dará aval a depoimentos de delatores que citaram Cunha para o processo de cassação.

O colegiado quer ouvir os lobistas Fernando Soares, o Baiano, e Júlio Camargo, que fizeram implicações a Cunha.

Nesta quinta, o conselho espera ouvir Leonardo Meirelles, uma das testemunhas que colaboram com a Lava Jato e que era sócio do doleiro Alberto Youssef. O conselho pediu à Câmara liberação de recursos para a viagem dele, mas a casa não teria autorizado.

Em relação às provas, o ministro disse que vai liberar o material que não estiver sob sigilo.

“Com relação ao depoimento dos colaboradores, Teori disse que não vê nenhuma dificuldade, chegando o pedido ele vai deferir. E com relação aos documentos, o compartilhamento de provas que estão em poder do STF ele disse que aquelas que não estiverem protegidas por sigilo, ele também vai fazer o deferimento e encaminhar para o Conselho”, disse Marcos Rogério.

O presidente do Conselho questionou a atuação de Cunha para atrasar o processo. “Ele está recorrendo em tudo que pode para impedir o processo. Se fizermos um paralelo ao impeachment [da presidente Dilma Rousseff], veremos a velocidade de um e de outro.”

“No que depende do presidente Eduardo Cunha, o que ele quer tem velocidade vertiginosa e o que ele não quer não anda.”

Cunha responde a processo de quebra de decoro parlamentar acusado de ter mentido na CPI da Petrobras sobre a existência de contas secretas no exterior, além da suspeita de ligação com o esquema.

No STF, o deputado já foi transformado em réu na Lava Jato, além de ter sido alvo de uma segunda denúncia.

Na ação penal, Cunha é acusado de crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, por seu suposto envolvimento num esquema de pagamento de propina de contratos de navios-sonda da Petrobras.

Segundo a acusação da Procuradoria, os dois contratos de navios-sonda somam US$ 1 bilhão e envolveram o acerto de uma propina de US$ 40 milhões para políticos e ex-funcionários da Petrobras. Cunha teria recebido US$ 5 milhões.

Em relação às contas na Suíça, a PGR ofereceu denúncia ao STF afirmando que Cunha teria recebido mais de R$ 5 milhões em propina para garantir o esquema de corrupção na Petrobras e atuar na Diretoria da Área Internacional para facilitar e não colocar obstáculo na compra do campo de Benin -ao custo de R$ 138 milhões para a estatal.

Os recursos teriam abastecidos contas ligadas a Cunha e familiares no exterior e pago despesas de luxo.

A nova linha de investigação leva em conta a delação premiada de empresários da Carioca Engenharia, que acusam o peemedebista de ter recebido propina em contas no exterior.

Os desvios estariam ligados a obter a liberação de verbas do fundo de investimentos do FGTS para o projeto do Porto Maravilha, no Rio, do qual a Carioca Engenharia obteve a concessão em consórcio com as construtoras Odebrecht e OAS e chegaria a R$ 52 milhões, segundo a PGR.

Essa liberação ocorreria por influência do aliado de Cunha Fábio Cleto, que ocupou uma vice-presidência da Caixa Econômica Federal e também o conselho do fundo de investimento do FGTS.

As transferências informadas à PGR totalizam US$ 3,9 milhões entre 2011 e 2014, saindo de contas na Suíça dos delatores para cinco contas no exterior que eles afirmam terem sido indicadas pelo próprio Cunha.

Por Folhapress

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