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Tenistas paralímpicos participam de torneio aberto em São Paulo

O torneio é válido para o ranking da Federação Internacional de Tênis (ITF) - foto: reprodução

O torneio é válido para o ranking da Federação Internacional de Tênis (ITF) – foto: reprodução

Quatro dos oito tenistas brasileiros classificados para os Jogos Paralímpicos Rio 2016 disputam de hoje (27) até domingo (31) o Torneio de Tênis de Cadeirantes – Ano 2 São Paulo Whellchair Tennis Open, no Clube Espéria, zona Norte de São Paulo. O torneio é válido para o ranking da Federação Internacional de Tênis (ITF). Participam do campeonato 76 atletas nas categorias masculino, feminino, misto e júnior.

Única representante feminina no torneio, Rejane Candida, que vai estrear nos Jogos Paralímpicos, disputaria o aberto, mas se ausentou devido a uma lesão. Ela que, além de participar de campeonatos profissionais, dá aulas de educação física, teve poliomielite aos cinco anos e ficou paraplégica.

Também participam Maurício Pomme e Carlos Santos, conhecido como Jordan, que vão para a quarta Paralimpíada. Pomme joga tênis desde os dez anos e aos 16 começou a dar aulas. Com o também técnico Eduardo Eche, formou a academia Eche-Pomme. Em 1997, quando consertava um telhado da academia, caiu e ficou paraplégico. Dois anos depois, conheceu o tênis em cadeira de rodas. Ele competiu em Atenas-2004, Pequim-2008 e Londres-2012.

Michael Jordan

Jordan, que tem esse apelido por causa da admiração pelo jogador norte-americano Michael Jordan, perdeu parcialmente os movimentos das pernas aos dois anos de idade. Antes de conhecer o tênis, era jogador de basquete em cadeira de rodas, modalidade que praticou durante 18 anos, chegando á Seleção Brasileira.

Para Jordan, o cenário atual do tênis sobre cadeira de rodas brasileiro é o melhor possível, com a modalidade crescendo a cada ano. Ele compara os jogos de 2016 à sua primeira Paralimpíada em Atenas. “Temos agora uma equipe masculina com quatro jogadores, duas jogadoras na feminina e dois atletas no time misto”.

Entretanto, ele citou a necessidade de melhoria na estrutura para o esporte nos estados, a fim de que atletas de outras modalidades e novos atletas se interessem pelo tênis. “Precisamos de renovação. Quem sabe para 2020 possamos ter uma estrutura melhor para podemos fazer essa transição dos antigos para os novos e jogar com chances reais de medalhas de ouro”.

Expectativa

Jordan que, aos 46 anos, divide sua rotina entre o trabalho na parte da manhã para garantir o sustento e o treino multidisciplinar durante a tarde, tem as melhores expectativas para os jogos do Rio.

“A expectativa é a melhor possível. Essa é a primeira vez que acontece um torneio dessa grandeza no país e será um diferencial muito grande para nós. Essa será minha quarta Paralimpíada e a mais importante e a melhor por estar próximo da família e junto da torcida brasileira.”

Rafael Medeiros estará em sua segunda competição paralímpica e Ymanitu Silva estreia nos jogos. O catarinense Ymanitu iniciou no tênis aos dez anos, mas parou de jogar antes dos 20 anos. Em 2007, sofreu um acidente de carro e teve uma lesão na coluna cervical. Depois de sete meses para aceitar a nova condição, começou a jogar tênis, o que foi fundamental para a aceitação. Ele compete na categoria misto.

Infecção

Rafael foi diagnosticado com cisto na medula aos dois anos de idade e ficou paraplégico. Conheceu o basquete em cadeira de rodas aos 12 anos, quando fazia reabilitação no Hospital Sarah Kubistchek, em Belo Horizonte.

Aos 14 anos foi apresentado ao tênis e, como diz, “foi amor à primeira vista”. Ele participou das Paralimpíadas em Londres, de quatro mundiais e soma mais de dez títulos internacionais.

Em 2010, sua carreira quase foi interrompida quando, ao voltar de um campeonato, sentiu dores de cabeça devido à infecção de uma válvula instalada deçpois de uma hidrocefalia em 2000, quando tinha dez anos. Rafael ficou internado por seis meses, passou por nove cirurgias e ficou longe das quadras por um ano. Para os jogos no Rio a expectativa é a melhor possível.

Clima

“A expectativa é enorme porque a Paralimpíada é o sonho de todo atleta. Ainda mais aqui no Brasil que tem toda torcida, família e amigos. O clima é favorável para um bom resultado. Como joguei em Londres, saí com uma experiência grande de lá. Vi como os outros atletas jogavam e se comportavam. Estou mais preparado do que quando cheguei em Londres, porque, naquela época, não fiz um trabalho multidisciplinar, com psicólogo, fisioterapeuta, como fiz agora.”.

Os outros tenistas que participarão das Paralimpíadas são Natalia Mayara, Daniel Rodrigues, Carlos Santos e Rodrigo Oliveira.

Por Agência Brasil

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