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Tenista amazonense aperfeiçoa carreira em São Paulo

Aos 13 anos, Thássane Abrahim desponta como uma promessa do tênis amazonense – Foto: Divulgação

Aos 13 anos, Thássane Abrahim desponta como uma promessa do tênis amazonense – Foto: Divulgação

Algumas responsabilidades podem começar a partir da infância. No esporte, a rotina de treinos e a pressão são comuns e requerem talento e habilidade do jovem atleta para lidar com a situação. Esse é o caso da tenista amazonense Thássane Abrahim, 13, que, apesar da pouca idade, já desponta como uma das grandes promessas do tênis da região.

Incentivada pelo pai, Mário Abrahim, a garota começou no esporte 5 anos atrás, quando acompanhava seu pai nas partidas dentro da Academia de Tênis. “Iniciei aos 8 anos, mas só comecei a disputar alguns torneios aos 9. Foi puro prazer mesmo, dois dias na semana eu só queria saber de brincar e daí foi aumentando o interesse”, conta Thássane.

Pai coruja, Mário fez questão de destacar o interesse da filha pelo desporto desde pequena. “A Thássane já praticava esporte desde os 4 anos. Começou com natação e vôlei. Com 8, ela me pediu para jogar tênis. Ela me acompanhou numa partida lá na Academia de Tênis, gostou e me pediu para fazer aula e foi aperfeiçoando os golpes dela desde então”, recorda.

Já totalmente adaptada a sua rotina de treinamentos, a joia amazonense comentou o quanto foi difícil abandonar a cidade e os amigos para se aventurar em São Paulo, onde treina no Instituto Tênis. “Sinto bastante falta da minha família, incluindo amigos. Mas com o costume, eu tenho algo para me distrair. No começo foi muito duro, os primeiros meses eu sentia muito a falta dos meus pais. Agora, eu já acostumei, me adaptei bem com a rotina de treinos e em torneios”, explica.

Sobre as disputas de campeonatos fora do país, Thássane ressalta sobre a dificuldade de jogar no exterior e lidar com o idioma diferente. “No primeiro torneio, eu não conhecia nada e nem falava uma palavra de espanhol. Mas eu fui aprendendo mais e tentando fazer o meu melhor em todos os sentidos. Era tudo muito diferente e novo, mas acabei encarando isso de forma tranquila. Mas confesso que no idioma, até hoje, não sou das melhores, mas eu me viro bem”, brinca.

Título internacional                                 

Em seu currículo, Thássane já acumula título brasileiro e duas competições internacionais: a Copa Gerdau e a Copa Mundial de Tênis Banana Bowl, conquistado com o clube Monte Líbano, sediado em São José do Rio Preto (SP). Para entender o tamanho do feito da amazonense, essa competição já contou com grandes jogadores consagrados na modalidade, como o espanhol Rafael Nadal, Andre Agassi, Ana Ivanovic e Andy Roddick, além dos brasileiros Thomaz Bellucci (atual número 1 do Brasil no ranking da ATP), Teliana Pereira e o tricampeão de Roland Garros, Gustavo Kuerten.

Quando perguntada sobre com qual tenista ela mais se afeiçoa, Thássane mostrou personalidade. “Não me identifico particularmente com nenhuma, mas gosto de ver o que cada uma tem de melhor, para observar os pontos positivos de cada jogadora e trazer para o meu jogo”, aponta.

Assistir partidas para aprender

O pai da tenista disse que antigamente a filha não gostava de acompanhar as partidas de tênis pela televisão e que só começou a assistir à vera no ano passado. Thássane admite que só veio começar a ver jogos em 2015, mas tratou o assunto com bom-humor.

“Ah, eu gostava sim, mas realmente eu comecei a assistir mais ano passado. Antes era mais só por ver. Como eu posso dizer? Acompanhar. Agora estou assistindo mais jogos para estudar, como se fosse matéria de escola mesmo”, revela a tenista.

Thássane tem ganhado destaque ao atuar em categorias diferentes, ao encarar meninas mais experientes e de uma faixa etária acima da dela. A tenista já foi vice-campeã nas duplas e semifinalista em simples na categoria 18 anos do circuito mundial da ITF Federação internacional de Tênis (ITF).

“Meu primeiro torneio fora do país foi ano passado, quando eu fiz a Gira Cosat (atualmente ela também disputa esse campeonato) e fui para Venezuela, Colômbia, Equador e Argentina. Esse ano joguei só na Colômbia, Equador, Peru e Chile”, diz Thássane.

Treinos em SP e torneios fora

Mário aponta o apoio que sua filha vem recebendo do Instituto Tênis, com treinos diários de até sete horas, vem fazendo Thássane evoluir bastante. Hoje, ela mora em apartamento nas dependências do clube com as outras meninas da equipe.

“Agora que treina no Instituto Tênis, em São Paulo, ela está tendo uma adaptação muito tranquila, evoluindo muito com os treinos. Ela está bem lá, fazendo o que quer. Para ela é tranquilo, está se dando bem na escola e jogando torneios fortes”, reconhece.

Atualmente disputando torneios no Chile e no Paraguai, Thássane ainda disputará duas competições no Brasil nos próximos meses. Durante todas essas competições, ela ainda disputará o circuito mundial da ITF, na categoria 18 anos. O calendário dela para este certame ainda não está pronto, mas os organizadores ainda vão definir aonde ela vai jogar. Atualmente, Thássane está na decima oitava colocação ranking da Confederação Brasileira de Tênis (CBT).

“Sei que não vai ser fácil essa nova fase, muito tempo longe da família, nova escola, treinos puxados de segunda a sábado e campeonatos difíceis na Europa e Estados Unidos. Mas tudo vai ser um aprendizado, uma boa experiência pra vida. Com o Instituto Tênis vou ter a chance de disputar e conhecer a realidade dos maiores torneios juvenis do mundo” disse a jovem tenista que demonstra ter uma maturidade muito acima da idade.

Por Daniel Prestes

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