Esportes

‘Tênis na Comunidade’ pretende popularizar esporte e incentivar crianças nos estudos

Acostumada a dormir até mais tarde nos sábados, Sophia dos Santos agora acorda cedo para aprender as técnicas do tênis, na quadra do bairro – foto: Diego Janatã

Acostumada a dormir até mais tarde nos sábados, Sophia dos Santos agora acorda cedo para aprender as técnicas do tênis, na quadra do bairro – foto: Diego Janatã

Um dos esportes mais tradicionais do mundo, o tênis sempre carregou consigo a alcunha de ser uma modalidade voltada para a elite e nobreza. No entanto, em Manaus, o projeto Tênis na Comunidade, que teve a aula inaugural de 2016 no último sábado (12), na quadra poliesportiva do bairro da Chapada, na Zona Centro-Sul de Manaus, quer acabar com esse “preconceito”. Além de ensinar a sincronia entre raquete e bola, a atividade incentiva as cerca de 45 crianças participantes a terem boas notas na escola.

De origem inglesa, o tênis era praticado pelo rei Henrique VIII – que foi um dos responsáveis por difundir o esporte pelo mundo. No Brasil, o esporte ganhou popularidade após Gustavo Kuerten vencer o torneio de Rolland Garros em 2000 e 2001.

Para o professor Ricardo Fixe, 45, que dá aulas de tênis há mais de 30 anos, o esporte ainda é um poderoso meio da retirada de jovens e crianças de baixa renda de situações de risco, principalmente por conta da facilidade do envolvimento com o mundo ilícito.

“Este projeto funciona desde fevereiro de 2015. Serve para tirar as crianças da rua e incentivar a prática de esportes. Embora ainda seja um esporte nobre e privilegiado, o projeto serve justamente para levar às comunidades carentes a chance conhecer e participar do tênis. Eu sou professor de tênis e jogo desde criança, sou do Rio de Janeiro (RJ) e também vim de áreas humildes, então eu sei como é difícil participar de esportes desta categoria”, explicou.

Para participar do projeto, é necessário que as crianças estejam estudando. Segundo o coordenador, doações são bem-vindas. “Mais de duzentas crianças já passaram por aqui. Tenho 46 raquetes que foram doadas e se cada um colaborar um pouco, faremos mais”, disse.

Presente na quadra, a pequena Sophia dos Santos, de apenas 6 anos, lembrou que se não estivesse jogando tênis, estaria em casa entediada. “Talvez eu estivesse em casa assistindo desenho e entediada. Aqui é legal porque eu encontro alguns amigos”, argumentou.

Já para o pai de Alice Oliveira, 7, Alexandre Oliveira, 44, o projeto pode servir de porta de entrada para futuros grandes nomes do esporte. “É de pequeno que fazemos o grande. Aqui podem surgir algum Guga ou até mesmo um Roger Federer”, brincou.

Auxílio

O recém-empossado secretário de Juventude, Esporte e Lazer do Amazonas (Sejel–AM), Fabrício Lima, lembrou que a forma lúdica de como o projeto é desenvolvido é a oportunidade de descobrir novos talentos. Apoio logístico, doação de troféus e medalhas estão entre os auxílios prestados.

“É hora de abrir espaços para desenvolver essas crianças pois com a habilidade que o professor tem e sua experiência ele vai descobrir talentos. Ainda não temos nenhuma quadra pública de tênis. Isso tudo vai com certeza fazer uma diferença grande na vida de cada um. De repente uma parceria com a Federação de Tênis, poderemos levar isso para outras comunidades”, justificou.

Por Luis Henrique Oliveira

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