Cultura

Teatro como forma de inclusão social e combate e preconceito

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Outros trabalhos são as peças “Que mundo é esse? e “Simplesmente Marias” – foto – divulgação

Há 10 anos usando o teatro como forma de inclusão social e combate ao preconceito, a Companhia de Teatro Sacy, da Associação de Apoio às Pessoas Portadoras de Necessidades Especiais (AAPPNE), faz um trabalho de formiguinha, Com o espetáculo “O Planeta Encantador”, se apresenta em escolas e associações. A montagem retrata histórias da vida real dos portadores de deficiência que integram a companhia. E, aos poucos, pretende conquistar espaços.

A Sacy surgiu em 2006. “Atualmente, temos 160 associados, sendo que 33 frequentam ativamente a instituição e 15 participam das peças teatrais. Infelizmente, ainda existe muita resistência e pouca aceitação do público, mas acredito que com o tempo conseguiremos quebrar essa barreira”, afirma Maria Dias, presidente da AAPPNE e diretora da companhia.

O grupo já encenou quatro espetáculos. “Os trabalhos, apesar de serem baseados em contos, retratam muito da vida cotidiana. O mais recente é “O Planeta Encantador”, que descreve um planeta que gostaríamos que existisse: sem preconceito. A peça “O Patinho Feio” também é um trabalho de conscientização. Retrata histórias da vida real, focando o preconceito e rejeição da família e da sociedade”, diz Dias.

Outros trabalhos são as peças “Que mundo é esse? e “Simplesmente Marias”. O primeiro retrata o mundo globalizado, agressão a biodiversidade e o preconceito com as raças, etnia, gênero e religião. A segunda peça conta histórias de várias mães que buscam pela transformação da discriminação.

Para reforçar os trabalhos, a associação também desenvolve palestras de sensibilização em escolas e empresas. “A intenção de levar esse trabalho para as escolas e ambientes privados é obter parcerias para realizamos as atividades de conscientização, no intuito de amenizar o preconceito e discriminação que ocorre devido à falta de informação”, informa a diretora.

 

Projeto

A valorização do estudo, a base familiar e a inclusão social através da arte são valores cultivados pela equipe que trabalha à frente da companhia de teatro. Além da diretora Maria Dias, a assistente social Francilene Monteiro da Silva e a psicóloga Keilly Brasil Freitas trabalham em conjunto para auxiliar no desenvolvimento e aceitação pessoal dos integrantes.

“Muitos dos associados chegam à nossa instituição fragilizados e frustrados por se sentirem de alguma forma, excluídos. Diante disso, desenvolvemos várias atividades para reverter o quadro. Os pais também são acompanhados”, diz Monteiro. “O meu trabalho é realizar atendimento social, visitas domiciliares e acompanhamento no seguimento da educação saúde e lazer”, acrescenta.

Segundo a psicóloga Keilly Freitas, assim que integram a associação, os participantes realizam atividades lúdicas, sendo possível verificar a potencialidade de cada um para que assim, eles sejam inclusos nas atividades desenvolvidas pela companhia. E para atomizar ainda mais os trabalhos, as duas especialistas participam de conferências, seminários, fóruns e conselhos municipal e estadual relacionado às políticas públicas sobre as pessoas com deficiência.

 

Metas

A presidente da AAPPNE informa que a meta para 2016 é lançar uma coleção inclusiva, de informativos lúdicos para sociedade em geral. “É um material que pretendemos lançar muito em breve, mas estamos produzindo ainda. Outra meta é adquirirmos uma sede própria para o grupo de teatro e um veículo que comporte 12 pessoas para realizamos as apresentações das peças. Hoje, temos apenas um veículo. Enfrentamos muitas dificuldades com a questão do transporte”, lamenta.

 

Superação

Segundo Maria Dias, vários integrantes tiveram as vidas transformadas depois que se integraram a companhia de teatro, entre elas, Ceila Balieiro, 45 que possui má formação congênita nas pernas. “Ela chegou na instituição logo que fundamos. Não tinha estudos e sofria com problemas de aceitação pessoal. Hoje ela é graduada em pedagogia pela universidade Ciesa e está concluindo a pós-graduação na área”, lembra a diretora.

Outro exemplo, é o servidor público Claudio Marcio Ribeiro, 42. Ele trabalha na Câmara Municipal de Manaus, no Complexo Municipal André Vidal, suplente no Conselho Estadual da Pessoa com Deficiência. Ele possui diagnóstico clínico de deficiência intelectual, obesidade, diabetes e hipertensão.

“Fico muito feliz com o progresso de cada um. E é isso que queremos mostrar para sociedade, que pessoas deficientes também são capazes e dignas de nossa admiração. Lembro que muitos deles, chegaram na APPNNE tímidos, com dificuldade de socialização, interação, e hoje participam ativamente das atividades realizadas. Houve aumento da autoestima, da confiança em si próprio”, comemora a diretora Maria Dias.

 

Por Bruna Amaral

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