Economia

Taxistas e mototaxistas criticam serviço do Yet Go

Advogado por formação, Jonatas Soares decidiu deixar de lado a advocacia para se dedicar aos serviços do Yet Go para obter um extra – Ione Moreno

Manaus ganhou na semana passada uma moderna ferramenta que auxilia na mobilidade urbana particular: o aplicativo Yet Go, que se assemelha ao sucesso mundial Uber.

Junto com a agilidade e um transporte até 40% mais barato que o convencional, o serviço gerou uma polêmica com os profissionais de transportes particulares de carro e moto que já atuam na cidade. Os usuários também estão divididos sobre o serviço.

O empresário Murilo Santos, 35, usou o serviço durante toda a semana, de casa para o trabalho e aprovou a nova ferramenta, apontando que a economia tem se concretizado na prática. “A maior vantagem é o preço, que sai bem mais em conta que pegando um táxi. O que não gostei, mas sei que vai melhorar, é o número de motoristas participantes, que ainda é baixo”, conta o empresário.

Murilo cita que em corridas nas quais gastaria, em média, R$ 23, tem pago R$ 14, economia de R$ 9 por dia. “Quanto ao atendimento, não tem o que reclamar, porque os motoristas são sempre bem educados e usam veículos dentro do gosto do cliente, comuns, mas limpos”, finaliza.

Discordância

Por outro lado, taxistas e mototaxistas estão em total desacordo com a operação da nova ferramenta. O presidente do Sindicato dos Condutores Autônomos e Taxistas de Manaus (Sintax), Luiz Augusto, afirma que a entidade reunirá amanhã (23) com a Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU) para pedir providências legais contra a operação do Yet Go.

“Toda nossa categoria é contra. Esse serviço é clandestino e não pode funcionar na ilegalidade, dando descontos acima do permitido pela lei nº 2.088. Não vamos permitir essa concorrência desleal e esperamos que hajam repostas das autoridades”, declara Luiz Augusto.

O presidente do Sindicato dos Profissionais Mototaxistas de Manaus (Sindmoto), Miguel Alves, condiciona seu apoio a ferramenta desde que venha para somar as atividades dos mototaxistas e não prejudicar, como já fazem os chamados ‘jacarés’ (clandestinos) com a concorrência irregular.

“Se o aplicativo entrar para concorrer de forma desleal, teremos duas concorrências que não geram recursos para o governo. O cliente tem direito de escolher, mas que seja de forma legal”, diz Alves.

Divergência chega na CMM

O vereador Rosivaldo Clodovil (PTN), que foi o último presidente da Comissão de Transporte, Viação e Obras Públicas (COMTVOP), da Câmara Municipal de Manaus (CMM), afirma que se o Yet Go entrar em Manaus, a ferramenta se tornará um predador do sistema de táxis. “Vamos abrir discussão para ver vantagens e desvantagens para a população e profissionais. Não queremos prejudicar ninguém. Se a ferramenta já funciona em concorrência e prejuízo aos taxistas, mas existe benefícios à população, temos que encontrar um equilíbrio”, avalia.

Já o último presidente da Comissão de Defesa do Consumidor da CMM, vereador Álvaro Campelo (PP), declarou que não existe lei que proíba a utilização desse aplicativo. Segundo ele, é importante acirrar a concorrência para que as empresas procurem disponibilizar mais serviços de qualidade.

“O consumidor ganha mais opções de preço e conforto com essa concorrência. A novidade é positiva mas tem que haver um consenso entre todos. O SMTU tem que reunir todos os motoristas, taxistas e mototaxistas e organizar essa questão para que não haja atritos e agressões. E temos que pensar uma forma de manter o serviço porque a crise na economia exige produtos e serviços mais baratos”, avalia o parlamentar.

Aplicativo garante renda extra

O motorista executivo Nill Soares, 38, que está desempregado, disse que, agora, ao aderir ao Yet Go, tem mais uma opção para não ficar refém do transporte de táxi e ônibus. “É um meio seguro porque se identifica passageiro e motorista. Sabemos que os taxistas precisam do trabalho, como nós, mas nesta crise o aplicativo foi um meio que surgiu para se conseguir algum recurso e manter nossas famílias. Esse trabalho veio agregar e complementar a renda em uma boa hora”, comenta.

Nill conta ainda que o movimento tende a crescer e pretende melhorar o sistema com mais motoristas rodando nas ruas para que o usuário espere o menos.

“Não queremos confronto com nenhum taxista, pois todos precisam de um espaço. Já teve clientes que gostaram do serviço e elogiaram”, finaliza.

O servidor público Jonatas Soares, que é advogado por formação, tem trabalhado com o Yet Go como forma de um faturamento extra para o fim do mês. “Os taxistas têm o argumento de que é proibido, mas nenhum Estado do Brasil consegue derrubar esses serviços porque a lei de mobilidade garante ao motorista privado atuar pegando clientes por aplicativos”, exemplifica.

Jonatas contou que em um dia em casa, quando ficou estudando, foi chamado para fazer duas corridas, sendo uma do bairro Japiim até a Vila Olímpica, em que faturou R$ 23, e outra corrida até a Djalma Batista, que custou R$ 20. “Tenho amigos em São Paulo que vivem do Uber, então, é uma ferramenta que dá certo”, revela o profissional.

Críticas

Roberto Ramos, tesoureiro da Agência de Gestão a Cidadania, que atende taxistas, aponta que o aplicativo, em si, é uma plataforma como todas as outras, porém, a diferença é que trabalha com carros particulares. “A legislação não permite transporte particular remunerado, mas as autoridades fazem vista grossa. É contra a lei e bagunça todo sistema, então tem que regulamentar”, finaliza.

Joandres Xavier
EM TEMPO

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