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Suframa: Rebecca Garcia está otimista com os desafios

 

Gerenciando uma cartela de mais de 400 empresas instaladas no Polo Industrial, a Suframa tem entrado em declínio nos últimos anos diante de vários fatores internos e externos. O mais atual é a crise econômica – foto: divulgação

Gerenciando uma cartela de mais de 400 empresas instaladas no Polo Industrial, a Suframa tem entrado em declínio nos últimos anos diante de vários fatores internos e externos. O mais atual é a crise econômica – foto: divulgação

Com a posse prevista para a próxima semana na Superintendente da Zona Franca de Manaus (Suframa), a nova superintendente da autarquia, a ex-deputada federal Rebecca Garcia (PP), está otimista com os desafios. Contudo, eles não serão nada fáceis diante de um quadro de desprestígio que a instituição tem experimentado nos últimos anos.

Escândalos envolvendo antigos dirigentes, falta de recursos por pressão de ministros e saída de empresas são apenas algumas das dificuldades que a nova dirigente enfrentará.

A crise econômica que afeta o Brasil tem sido sentida de maneira mais dura na Zona Franca de Manaus (ZFM), já que a capital amazonense produz, principalmente, bens duráveis não essenciais, os primeiros que deixam de ser comprados quando há uma redução da renda e retração do crédito. Os indicadores do Polo Industrial de Manaus (PIM) já registraram queda de faturamento de quase 40% em neste ano.

O faturamento do PIM alcançou R$ 37,8 bilhões (US$ 12.7 bilhões) no primeiro semestre do ano, o que representa um recuo de 8,42% em real e 28,85% em dólar na comparação com mesmo período de 2014, quando o faturamento registrado foi de R$ 41,3 bilhões (US$ 17,9 bilhões). Esses dados são da própria Suframa e foram compilados a partir de informações repassadas à autarquia pelas empresas incentivadas do parque fabril manauense e compõem os indicadores de desempenho do PIM.

Para piorar a situação, cerca de 60% dos recursos da Suframa são contingenciados por pressão de ministros da União. A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB), quando era deputada federal, tentou um projeto de emenda constitucional que vetasse tal prática, mas ela acabou arquivada em 2010. Antes disso, houve a promessa de um acordo com o governo do ex-presidente Lula de que o contingenciamento seria extinto paulatinamente até 2009, mas isso nunca chegou, de fato, a acontecer.

Além do contingenciamento de recursos, da incerteza do governo federal quanto ao comando da autarquia e crise econômica, acabou sendo o cenário perfeito para que grandes empresas, como a Microsoft deixasse o Polo. Os sinais começaram no primeiro semestre deste ano, quando a multinacional começou a demitir empregados da fábrica da antiga Nokia em Manaus, por meio de um Plano de Demissões Voluntária (PDV). A Flextronics, empresa com sede em Cingapura confirmou, por meio de sua assessoria de imprensa com exclusividade para o EM TEMPO, que estava negociando para substituir a Microsoft no Amazonas. A Fundação Nokia, mantida pela empresa, tem futuro incerto.

Depois de 6 anos, os empregos diretos no Polo Industrial caem abaixo da linha dos 100 mil. Esses dados foram repassados durante audiência na Assembleia Legislativa do Estado (Aleam) promovida pela bancada amazonense em Brasília em maio deste ano.

Comando interino
A Suframa estava sem um titular desde novembro de 2014, depois da saída do ex-superintendente Thomaz Nogueira, que pediu para deixar o cargo. Desde então, a direção da autarquia estava sob o comando interino do superintendente-adjunto de Projetos da Suframa, Gustavo Igrejas, servidor de carreira da instituição.
Antes dele, em 2011, a Justiça Federal ordenou o bloqueio de bens de dirigentes da Suframa, dentre eles, da então superintendente, Flávia Grosso. O Tribunal de Contas da União (TCU) constatou que um convênio firmado por ela no valor de R$ 25 milhões era irregular. O escândalo causou o afastamento da dirigente.

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‘O Amazonas há de crescer’

A Suframa estava sem um titular desde novembro de 2014, depois da saída do ex-superintendente Thomaz Nogueira, que pediu para deixar o cargo. Desde então, a direção da autarquia estava sob o comando interino do superintendente-adjunto de Projetos da Suframa, Gustavo Igrejas, servidor de carreira da instituição.

Antes dele, em 2011, a Justiça Federal ordenou o bloqueio de bens de dirigentes da Suframa, dentre eles, da então superintendente, Flávia Grosso. O Tribunal de Contas da União (TCU) constatou que um convênio firmado por ela no valor de R$ 25 milhões era irregular. O escândalo causou o afastamento da dirigente.

O EM TEMPO procurou a nova superintendente da Suframa, Rebecca Garcia, para saber como vai enfrentar os desafios na autarquia e quais estratégias adotará para reerguer a instituição.

EM TEMPO – O PIM teve queda de faturamento de quase 40% em 2015. O que compete à Suframa para reverter esse quadro e o que cabe ao poder público?

Rebecca Garcia – De imediato, o que podemos fazer que possa trazer algum retorno nesse primeiro momento seria trabalharmos os PPBs (Processo Produtivo Básico) que estão parados. A aprovação desses projetos é fundamental para a atração de novas empresas, expansão de outras já instaladas, consequentemente geração de emprego e renda na nossa região.

EM TEMPO – Cerca de 60% dos recursos da Suframa são contingenciados. Como lidar com essa situação?

RG – Mesmo entendendo o momento delicado para economia, os recursos da Suframa precisam constar na nossa lista de prioridades. Temos uma bancada federal forte; o governo do Estado e um dos principais ministros do governo Dilma  (Eduardo Braga, do Ministério de Minas e Energia). Não podemos esquecer que nossa força vai além do Amazonas. Temos os deputados e senadores de toda Amazônia Ocidental e do Amapá e seus governadores que podem e devem se unir na defesa desse pleito. Precisamos usar nossos agentes políticos para garantirmos o sucesso das nossas demandas.

EM TEMPO – Grandes empresas como a Microsoft deixaram o PIM. Como reverter essa situação?

RG – Não podemos desistir de grandes geradoras de emprego como essas empresas. Precisamos entrar em contato com seus tomadores de decisão para apresentarmos nossa defesa e brigarmos para que essa decisão seja revertida.

EM TEMPO – Como a senhora pretende usar sua vivência política e o seu conhecimento em economia para reerguer a Suframa?

RG – Sozinho ninguém chega a lugar nenhum. Com o apoio do empresariado, os políticos do nosso Estado e os competentes servidores da instituição construiremos um caminho de alternativas para o PIM, mesmo entendendo que a missão é difícil, mas não impossível. O Amazonas há de voltar a crescer.

Por Fred Santana

Por Fred Santana

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